domingo, 28 de fevereiro de 2010

Preconceituosos: Vão catar coquinho!


Eu fazia aula de informática para aprimorar os meus conhecimentos e principalmente receber um certificado, pois sem ele é difícil que se comprove algo nesse mundo de meu Deus, embora eu tenha aprendido muito mais por mim mesma que no dito curso. A turma era bastante heterogênea, haviam estudantes entre 11 e 50 anos advindos de todos os lugares. A senhora de 50 anos ou mais era uma aluna extremamente irritante, nunca tinha  se sentado diante do computador e não sabia sequer digitar, sem falar das perguntas de 5 em 5 segundo. As aulas eram massantes! Mas o que mais me marcou e irritou não foi essa senhora, mas um menino que também participava do dito curso;o menino era negro e tinha os cabelos crespos,  era inteligente mas a frase que ele disse uma vez me chocou profundamente:

_Eu não gosto de preto, detesto preto!
Eu não conseguia compreender de onde viera aquele preconceito totalmente irracional, sendo que o menino era...negro!Talvez, por sua cor ser um pouco mais clara que a dos africanos ele não se considerasse um pertecente da mesma raça. Ficou claro para mim que esse preconceito tinha uma origem, e só poderia ter vindo de sua família.Nenhuma criança é capaz de declarar ódio a outro ser humano por um motivo desses, a não ser que tenha sido influênciado pela irracionalidade do ódio deste a mais tenra idade.

Por que  o ser humano tem essa tendência?  Desde que o homem inventou essa de  usar roupas e adereços, começaram os julgamentos. O que a pessoa veste, o que ela come, suas preferências, suas crenças, sua origem, a cor de sua pele, despertam nos outros diversos sentimentos, entre eles admiração, amor, rejeição e ódio. Mas por que o ódio? Por que o outro não tem o direito de simplesmente não ser igual a nós? Por que queremos destruir o que não somos? Por que nos irrita a diferença?


Temos o hábto de pré-ver os acontecimentos, de avaliar por resquícios de conhecimentos  que temos enraizados em nossas mentes, os quais nem sempre correspondem à realidade. Não queremos conhecer o outro, queremos lhe dar um julgamento e recolhê-lo a uma classificação qualquer, assim estamos confortáveis e somos donos da situação, não precisamos nos sentir ameaçados.

Isso é triste...É triste por que o respeito está em último lugar em nossos julgamentos. Em muitas comunidades o ódio está tão enraizado que a racionalidade não é mais possível, as certezas já estão estabelecidas. 

Lembro-me de uma história contada por minha professora de psicologia: Uma mulher evangélica recebeu de sua igreja as orientações sobre o que seria uma boa esposa: Cuidar muito bem da casa e dos filhos. A tal senhora teve 5 filhos, um após o outro, todos pequenos e não estava se sentindo capaz de cuidar bem de todos e de sua casa. Ela tinha a certeza de que todas as crianças que morriam iam para o céu, onde a vida era maravilhosa, então , com essas duas certezas em mãos, ela optou por matar alguns de seus filhos afogados em um lago, pois no céu eles estariam infinitamente melhor e ela poderia ser uma boa mulher. 

Se você fosse um homem-bomba e tivesse a certeza absoluta de que o seu dever é se explodir em nome de uma causa, e fazendo isso você encontraria um paraiso com nao sei quantas virgens lhe esperando, obviamente você se explodiria agora.

São as razões irracionais que são implantadas em nossos cérebros ao longo de nossas vidas.

Por que não temos forças para nos libertar das amarras, das vendas e enxergar o outro em suas qualidades e defeitos e simplesmente aceitá-los como partes de nós mesmo, da humanidade? Adoramos condenar sem ao menos conhecer todos os lados, sem clemência, sem perdão.

Respeito à humanidade! Nós adoramos destruir a nós mesmos. A causa de todo o caos na terra não é senão a falta de respeito aos nossos iguais, sim, por que somos iguais em direitos.Quem nos nomeou juízes de qualquer porcaria que seja? Quem nos concedeu poder de decidir o que é bom ou ruim, quem deve morrer ou viver? Quem foi que disse que a nossa maneira de ver e de viver é a certa? Quem nos dá a certeza absoluta de que o nosso Deus é o Deus certo, de que existe um Deus, senão a nossa fé, e fé é crer sem precisar de provas concretas? Ora, se ninguém na terra tem essas respostas muito bem documentadas, não me venham discriminar quem quer que seja baseando-se em adereços, que são o que tudo o que molda o ser humanos ao longo da vida é!

E vão catar coquinho! Acabei.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pobre menina

A menina não cresce, não aparece,
A menina quer sempre brincar
Na neve que  desconhece.

Ingênua, crédula, dá a mão a quem não conhece,
E este a leva sem pensar
Para onde a aranha tece.

A menina não aprende , sempre esquece
Ela insiste em não parar
Mesmo vendo que anoitece.

Pobre menina, seu sorriso se esmoece...
Se cansou de esperar
Que a bondade a socorresse.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Queria

Quero aquilo, não isso
Quero o que quero, não o que queres
Quero sempre o que preciso
Não o que querem as mulheres.

Mas quando quero, tu não queres,
Ou o que tu queres, não hei de querer.
Tu  desejas o que ignoro
E o que desejo, nunca vais saber. 

Se te digo o que quero,
Tu me dizes que devaneio
Se tu queres o que espero
Digo-te que receio.

Gostaria de não querer,
De nunca mais desejar!
Gostaria de saber
Como parar de sonhar.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Bem-vindo

Há algum tempo havia lhe abandonado,
Parecia velho, obsoleto, acabado.
Não lhe dava mais nenhum crédito
após ter me decepcionado.

Julgava-me tão ingênua quando o concebi
que os anos fizeram com que o deixasse.
Rodando sem rumo segui
na áspera jornada, num impasse.

Será que não era possível
Que a juventude trouxesse a verdade?
Será que o que desejei
era mesmo uma insanidade?

Os anos trouxeram para mim
Algo que não imaginei
capacidade de discernir
entre o que preciso e desejei.

Quando não mais esperava, recebi de volta
Por uma presença inesperada e incrível,
Aquilo que julgava extinto,  coisa morta
Aquilo que pensei nunca ser crível.

Mas não como o conheci na juventude,
Não às cegas e sem reflexão.
Neste momento, perceber, pude
Que nos sentimentos se encontra a razão.

Seja bem-vindo de volta
Sonhos de felicidade!
Aberta estará a porta,
Por favor, entre, me invade!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mesquinharia


Tenho alguns amigos que leem esse blog, alguns poucos comentam e outros guardam uma coisinha ou outra só para si. Alguns apenas leem algumas linhas para poder deixar algum comentário, natural, às vezes eu também faço isso; mas há também algumas pessoas que lêem apenas para se inteirar do meu caminhar, saber se estou caminhando pelos caminhos certos ou saber se estou na derrocada, rumo ao buraco em que me empurraram.

Digo a todos e repito que a minha vida é um livro aberto, pois não desejo mal, procuro não fazer o mal, busco sempre uma maneira de viver melhor e em paz, por que esconderia isso? Mas há também uma coisa que se chama privacidade, uma coisinha que nos resguarda dos olhares curiosos, que nos permite tirar a calçinha do fiofó, cutucar o nariz, beber água direto da garrafa, que nos permite ter prazeres com os mais intimos sem que ninguém precise saber de nossas preferências, nossas cicatrizes.Ser um livro aberto não significa que tenho que mostrar me nos momentos em que não quero me mostrar, nos momentos que são só meus, nas coisas que quero que fiquem escondidas até de mim mesma.Ser um livro aberto é ter um comportamento que não prejudique a ninguém e não fira aos brios alheios.

Na vida temos responsabilidades, e devemos arcar com as consequencias de nossos atos. Todo o ser humano tem momentos de extremo egoísmo e egocentrismo, mas temos também a capacidade de avaliar e de saber qual é o melhor comportamento para se viver em uma sociedade. As pessoas que não assumem as suas responsabilidades por preguiça, egoísmo ou mesquinharia são as piores da face da terra, são a escória! Para quê estão na sociedade se não sabem do seu papel e esperam que os outros cumpram com os seus deveres? Deveriam se envergonhar ao invés de se vangloriarem por não cumprirem  com as suas obrigações que são tão ínfimas perante as dos outros, mas mesmo assim, representa-m lhes um fardo inigualável. As vítimas de sua negligência talvez consigam caminhar, mas não será sem sequelas.

Essas pessoas egoístas, negligenciadoras de seus papéis, encontram tempo de vir aqui e vasculhar os meus escritos na vã ilusão de que encontrarão algo que me desabone e diga o contrário do que eu sou...Eu sou essa, a que sempre acredita nas pessoas, às vezes ingênua, burra, tola, às vezes melancólica, sonhadora, romântica, aquela que tenta carregar o seu fardo da melhor maneira possível, aquela que não se arrepende das decisões tomadas, pois sempre são tomadas depois de muita reflexão e de certeza absoluta. Eu sou essa, e se isso me desabona ou lhes desaponta, perdão, e vão procurar a sua turma!




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Dúvidas


Quando tudo parece perfeito demais vem a dúvida para nos assaltar. Ela vem entrando de mansinho, aos poucos, e quando não estamos preparados ela se instala definitivamente em nossos cérebros incrédulos. Ela gosta de nos atormentar por que sabe que a felicidade é algo tão medonho que ela não pode nos deixar ali, relaxados e tranquilos para saborear tais momentos.

A dúvida está lá e agora, o que fazer? Ela insiste em nos acompanhar até que tomemos uma decisão, mas depois de tomada ela continua a nos perseguir, ela esta ligada também à cada decisão! Só o tempo é capaz de matá-la ou transportá-la para outras questões.

Essa malígna não vem só! Seus efeitos são o medo...Esse sim, paralisa os nossos músculos, nossos cérebros, nossos instintos, nossos movimentos, nossas decisões. Que paradoxo! como nos livrar da dúvida se ela vem acompanhada do medo que nos impede de tomar decisões?

Por que não podemos simplesmente crer? Crer que é possível, que o melhor acontece e relaxar? Por que não podemos simplesmente nos deixar guiar pelos instintos e desejos e fechar as portas para as dúvidas?

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