terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Conselhor de amor - IV - "Cuidado com o que desejas, pois pode se realizar."


Desejamos tantas coisas o tempo todo mas nunca paramos para pensar nas consequências, caso todos esses desejos se realizem. A felicidade nos parece algo distante, que mora ali ao lado, mas não é paupável para nós; desejamos o que não temos. Desejamos uma casa grande e luxuosa, desejamos tempo livre para os prazeres, desejamos poder viajar pelo mundo,  possuir objetos pelo simples prazer de possuir e desejamos encontrar o amor eterno. Será que queremos tudo isso mesmo? E se...

E se, de repente, não mais que de repente, tudo o que desejamos viesse para nós? Realizaríamos todos os nossos desejos, e depois? Acabariam - se os sonhos de toda uma vida? Conseguiríamos encontrar novos sonhos? E o sabor das realizações, seria igual aos dos nossos desejos? E as novas responsabilidades herdadas pela nova condição, seriam menores do que as que tínhamos anteriormente? Nesse momento sentimos MEDO. Medo de realizar os nossos sonhos, por que não temos a certeza de que vai ser da maneira como da qual pintamos em nossos devaneios,  e gostamos de devanear! Gostamos de imaginar e logo poder acordar e voltar para as nossas batalhas diárias, por que é com elas que estamos acostumados e é por elas que o alívio de tirar as botas no fim do dia parece um bálsamo para a alma cansada;Não gostamos de bálsamo o tempo todo.

E se...
E se, de repente, não mais que de repente, tivéssemos que tomar uma única decisão capaz de mudar toda uma vida? Teríamos coragem de arriscar todo o nosso martírio confortavelmente conhecido e alçar novos vôos? Teríamos coragem de conquistar nossos sonhos? Seríamos fortes o bastante para aceitar o que pedimos?

O amor tem destas coisas...De repente, não mais que de repente, traz um furacão para dentro de uma vida e muda todas as certezas e todos os sonhos. De repente, não mais que de repente...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Conselhos de amor - III - Florzinha roxa


Acho que eu estou passando por uma pequena e intensa fase de profundas reflexões sobre esse tal sentimento, que sequer sei se já  conheci verdadeiramente.Especulações! Nada além.

Paixão, essa sim, conheço! Minha amiga! Ela me acompanha de tempos em tempos e apesar de já ser conhecida, sempre me aparece de cara e roupa nova e me apresenta coisas diferentes, novos adereços, novos caminhos...Porém, quando eu penso que ela vai ficar e se acomodar, deixando a agitação de lado para que o amor tome o seu lugar, ela vai embora!Assim, como chegou, sem que eu me preparasse.Não sei por quais motivos, mas ela não gosta de morar em minha casa. Algumas vezes acho que a culpa é minha, pois não estando preparada para a sua chegada, não sei recepcioná-la bem e ela se ressente e se vai.Algumas vezes ela se confunde e percebe que está no lugar errado e na hora errada. Outras, ela simplesmente é arrancada de minha casa, sem que eu espere por isso também, e sinto sua falta...Mas sem ela, a casa fica muito mais sossegada.

Quando sinto que uma florzinha roxa começa a despontar em minha jardineira e a desapontar o meu coração, eu  tento arrancá-la, jogo um mata-erva-daninha pra ver se ela não vinga. Roxa é uma cor estranha, dizem que é a cor da morte, do caixão dos vampiros, mas a acho bela. Odeio é a flor roxa, por que ela adora brotar bem no meio do meu coração! Terreno fértil para esse tipo de vegetação.

Isso não é nenhum conselho, é apenas uma constatação de que não é fácil sentir...Não é fácil estar vivo, também não sei se é fácil não estar, o que sei é que querer, desejar, sonhar, são coisas que fazemos sempre, e com muito mais intensidade quando nos apaixonamos.Porém, quando as raízes da flor começam a se aprofundar no terreno do seu coração e a espalhar as suas sementes por lá, dói muito! Dói mais quando vem alguém e a arranca pela raiz, assim, sem mais nem menos! O terreno fica rachado, sofre erosão, se torna infértil por algum tempo, até que uma chuvinha venha jogar novas esperanças em cima da árida terra.

Depois de algumas estações,  uma nova semente de flor roxa teima em brotar, sem mesmo que eu saiba por que alguém a jogara lá! Isso me irrita profundamente, por que não quero mais ver o solo se partir e se esfarelar, nem sentir aquelas raízes desfigurando o meu coração.Não quero mais ver essa flor roxa na minha frente!

Deixem que o meu coração se desertifique, seque e que dele não saia mais vida, sem água, sem luz, sem florzinha roxa.





segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Conselhos de amor - II - Metade da laranja


Metade da laranja, era essa a concepção que tinha de amor em minha adolescência, carregava comigo a certeza absoluta de que eu precisava de uma metade para me completar, que nasci faltando. Nas supostas metades que encontrava pelo caminho eu depositava todas as minhas expectativas e ideais, mesmo que elas não tivessem a menor noção do que eu esparava delas. Como era de se imaginar, nunca encontrei a minha metade, estou faltando ainda.

Como diria Freud, esse sentimento de que falta algo é inerente ao ser humano, estará presente do início ao fim de nossas vidas, estaremos sempre buscando a completude, e quando esse "algo" que supunhamos nos completar for alcançado, outro tomará o seu lugar. Por isso o ser humano é tão atormentado em suas questões existênciais sem respostas,  somos inclompletos e precisamos prencher o buraco com teorias, suposições, desejos, ideais!

Qual ideal é mais lindo e repleto de satisfações que o amor idealizado? Que sentimento pode transformar a vida de uma pessoa e fazê-la girar, revirar, transmutar? Qual situação nos faz sonhar e sair de nós mesmo, esquecer nossas questões existenciais e pensar só em nós  no outro? Ah, o amor!

É de verdade? É magia? É ilusão? É fantasia? É um artifício químico de nosso organismo para garantir a procriação? É tudo isso ou nada ? Não sei... Só sei que esse sentimento, por alguns momentos ao longo de nossas vidas nos fazem ficar tão cheios  que compensa todos os sofrimentos, ao menos naqueles momentos, neles, estamos completos.

Como ser completo por mais tempo? existiria uma fórmula para a saciedade permanente? Seria esse o caminho que devemos buscar para nos sentirmos satisfeitos? 

Sinto, se Deus me desse essas respostas, eu me tornaria inteira e não estaria aqui escrevendo este pequeno texto, por isso, desculpem -me por não poder deixar nenhuma pista da completude, quem me dera!  Sou apenas uma metade...Ou talvez eu seja apenas um gomo da laranja, ou seja uma laranja inteira que precisa ser descascada e saboreada, eu não sei... O que sei, o que sinto, é que todo o ser humano precisa de outros seres humanos, e ás vezes, precisa de um em especial, em momentos diferentes; sei que quando fecho os olhos à noite, espero que no dia seguinte eu não sinta mais faltas, que encontre muitos gominhos de laranjas, ou encontre alguém que adore se deliciar com uma laranja inteirinha e quase madura. Espero preencher só um pedacinho do buraquinho do meu peito, espero esquecer por alguns instantes que ainda falta.



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