sexta-feira, 1 de maio de 2009

Buracos


As paredes olhavam para mim e eu olhava para elas, os seus buracos me encaravam e me desafiavam, eles sabiam que eu estava sem coragem para enfrentá-los e cresciam cada vez mais. _Um dia eu tomo coragem!_repeti uma centena de vezes, enquanto os feriados iam passando. Eles estavam cada vez mais horrorosos, e de uma certa forma, eu os criei! A tinta estava despencando pela umidade, mas ao tentar removê-la, as crateras se formaram._Malditos caras que construíram essa casa, usaram só areia!_ Praguejei várias vezes enquanto o trabalho só aumentava.

Quando se tem dinheiro sobrando os problemas são resolvidos facilmente, mas quando a situação não é das melhores, um probleminha pode virar uma problemática sem solução.Nesse caso, eu tinha três alternativas: aprendia a tapar os buracos, esperava a boa vontade dos conhecidos ou aguardava ate´que a sorte virasse e sobrasse algum para pagar um profissional.Como as duas últimas alternativas eram muito vãs, a solução ideal foi enfrentar logo o problema e arregaçar as mangas!

Bem, alguém me falou sobre argamassa e massa corrida, não sabia do que se tratava, não imaginava quanto custava e nem estava muito à fim de saber, então resolvi usar o cimento e a areia que já estavam disponíveis.Em pleno Dia do Trabalhador, me senti realmente uma trabalhadora!

O primeiro desafio foi fazer a massa, não tinha ideia das quantidades a serem usadas, nem da consistência da massa, mas não me desanimei! Como em tudo nessa vida, se você for inteligente, as coisas são dedutíveis. Procurei informações no saco do cimento, mas não havia nada sobre essa questão, fui no achômetro mesmo.Muita água entornou, minhas costas doeram pelo peso da enxada, mas acho que consegui encontrar a mistura certa. Depois dessa primeira batalha veio a outra: como colocar o cimento na parede? Foi difícil...Nas primeiras jogadas, carreguei muito a colher e saiu cimento voando pra todo o lado. Pra piorar, o buraco estava arenoso e o cimento não grudava, pensei que devia umidece-lo antes, deu certo. Depois de alguns erros, já estava ficando craque no cimento, tapei vários buracos e nem doeu tanto assim!

O pior de tudo é a bagunça que fica...Sem falar das minhas mãos, todas enrugadas pelo contato com a massa.

Mas no final de tudo, tirei algumas conclusões:

As coisa parecem bem mais difíceis enquanto estão em nossa mente apenas;

Podemos fazer qualquer coisa, basta usar a inteligência e dar o primeiro passo;

As coisa que duram fazem muita bagunça, mas o benefício é bem maior que o trabalho;

Cada um tem que tapar o seu próprio buraco para que a sua casa permaneça de pé e alguém possa morar nela;

Quem espera cansa;

E que apesar de tudo, vale a pena fazer o possível para se ter o melhor.

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