segunda-feira, 25 de maio de 2009

Palavras, apenas...


Muitas vezes ouvi dizer que as palavras possuem força, e, como a todas as frases feitas, aceitei mais essa sem refletir sobre o assunto. Mas me ocorreu agora que nessa frase há um mundo de sentidos, um mundo de dizeres, um mundo de palavras!


O que é a palavra? Segundo o dicionário Michaelis trata-se de "um conjunto de sons articulados, de uma ou mais sílabas, com uma significação." Que pobreza de definição!


A palavra tem força! A palavra pode tocar as pessoas como nada mais no mundo é capaz de fazer! Quando estamos em uma celebração religiosa, se o padre, pastor, rabino, ou seja lá qual for o orador, souber usar as palavras de forma harmoniosa, lógica (preste atenção, essa lógica é a lógica dos sentidos), e principalmente comovente, tornará o evento memorável e poderá trazer conforto e fé aos ouvintes.


Tanto a palavra oral quanto a escrita têm o poder de influenciar as pessoas em vários sentidos, sendo bem articuladas. Um escritor bem sucedido conhece a sua ferramenta, a palavra, e a usa com maestria, sabe colocá-la em uma ordem agradável, sabe escolher as mais convenientes, as que causam maior impacto, as que sabem transmitir sentimentos profundos e verdadeiros, as que combinam, as que se completam de maneira formidável!


Hitler sabia usar essa ferramenta de tal forma que convenceu toda uma nação de que os outros, que não eram iguais, mereciam a morte sem piedade. Ele os convenceu de que toda a miséria de sua pátria era causada por um povo, e que este não tinha mais direito de existir. Ele convenceu a todos de que matar não era abominável, mas era preciso. Isso ainda acontece em muitos lugares do mundo, graças às palavras bem colocadas e incessantemente repetidas.


Muitos loucos, criadores de seitas espirituais, através da palavra, e usando as fraquezas e a necessidade dos seres humanos de conseguir conforto e certezas, manipularam e levaram muitas pessoas a crerem em teorias absurdas, as vezes culminando em suicídio.


Em nosso dia-dia, o uso da palavra não é menos importante! Ele transforma a maneira como enxergamos o outro e como somos recebidos pelo outro. Quando nos encontramos com alguém que sempre diz coisas negativas, nossa disposição em estar com essa pessoa já diminui drasticamente, pois sabemos que nos causará desconforto e talvez, o pessimismo nos contamine. Pessoas que sempre vêm o lado negativo, estão fadadas a terem sempre o pior. É a tal concepção, o copo está "meio cheio", ou "meio vazio"? "Cheio" e "vazio", duas palavras que mudam totalmente o sentido e a nossa disposição diante da vida.


Quando percebemos esse poder das palavras, temos em nossas mãos uma ferramenta poderosíssima! Podemos escolher o que dizer, como dizer e quando dizer! Se alguém nos encontrar no meio da rua e nos perguntar: "_E, aí, Fulano, como está?"_Mesmo que estejamos péssimos, poderemos dizer:"_Ótimo!" Quando dizemos que estamos ótimos, isso evita muitas coisas, como perguntas pelos motivos que nos deixaram péssimos, constrangimentos, tristezas pela tristeza alheia, sentimento de impotência, aumento da agonia a cada termo da explicação. Dizendo que nos sentimos ótimos, acabamos por nos sentir, ao menos, melhores.


Então, sejamos todos muito felizes e fiquemos ótimos!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lexosceles?


Como somos frágeis, como somos vulneráveis, somos como uma folha de papel que se rasga facilmente...



Sexta-feira senti em meu tornozelo e em minha batata da perna, uma coceirinha, pensei que fosse uma picada de pulga ou de pernilongo, não dei muita importância.À noite, senti o meu tornozelo inchar e queimar, ficou muito vermelho, muito estranho! Não sei por que motivo, lembrei-me logo da aranha marrom e de seu poder devastador, pesquisei na internet e vi que os sintomas de um ataque deste animal eram muito parecidos com os que eu estava apresentando: picada indolor, muitas vezes não percebida, inchaço, vermelhidão e queimação após 12 a 14 horas, e o pior de tudo, necrose no local da lesão! Inicialmente fiquei assustada com algumas fotos, mas resolvi dormir logo e ver se pela manhã, o problema já tinha acabado.



A manhã chegou e o inchaço e a vermelhidão continuavam lá! Cotinuei o meu trabalho, mas à tarde resolvi ir ao hospital averiguar, comecei a ter pavor pelas imagens vistas. Cheguei lá e eu mesma sugeri ao médico que era grande a possibilidade de ter sido picada pela tal aranha. Depois de ler um livro sobre animais peçonhentos e de ligar para o Centro de Toxicologia, ele resolveu me deixar lá tomando soro anti-aracnídeo e soro fisiológico.O resultado foi uma noite de sábado e uma manhã de domingo no hospital.



Hoje já se passaram 5 dias e a minha canela parece estar bem melhor, com apenas um pouco de inchaço, e espero que melhore cada vez mais. Só que sinto-me um pouco estranha, minha visão se aguçou e parece que desenvolvi um tipo de sensor de problemas, piso em lugares seguros, apesar de subir pelas paredes. Acho que sou capaz de derrotar qualquer inimigo, a Lexosceles me deu super poderes!



sexta-feira, 1 de maio de 2009

Buracos


As paredes olhavam para mim e eu olhava para elas, os seus buracos me encaravam e me desafiavam, eles sabiam que eu estava sem coragem para enfrentá-los e cresciam cada vez mais. _Um dia eu tomo coragem!_repeti uma centena de vezes, enquanto os feriados iam passando. Eles estavam cada vez mais horrorosos, e de uma certa forma, eu os criei! A tinta estava despencando pela umidade, mas ao tentar removê-la, as crateras se formaram._Malditos caras que construíram essa casa, usaram só areia!_ Praguejei várias vezes enquanto o trabalho só aumentava.

Quando se tem dinheiro sobrando os problemas são resolvidos facilmente, mas quando a situação não é das melhores, um probleminha pode virar uma problemática sem solução.Nesse caso, eu tinha três alternativas: aprendia a tapar os buracos, esperava a boa vontade dos conhecidos ou aguardava ate´que a sorte virasse e sobrasse algum para pagar um profissional.Como as duas últimas alternativas eram muito vãs, a solução ideal foi enfrentar logo o problema e arregaçar as mangas!

Bem, alguém me falou sobre argamassa e massa corrida, não sabia do que se tratava, não imaginava quanto custava e nem estava muito à fim de saber, então resolvi usar o cimento e a areia que já estavam disponíveis.Em pleno Dia do Trabalhador, me senti realmente uma trabalhadora!

O primeiro desafio foi fazer a massa, não tinha ideia das quantidades a serem usadas, nem da consistência da massa, mas não me desanimei! Como em tudo nessa vida, se você for inteligente, as coisas são dedutíveis. Procurei informações no saco do cimento, mas não havia nada sobre essa questão, fui no achômetro mesmo.Muita água entornou, minhas costas doeram pelo peso da enxada, mas acho que consegui encontrar a mistura certa. Depois dessa primeira batalha veio a outra: como colocar o cimento na parede? Foi difícil...Nas primeiras jogadas, carreguei muito a colher e saiu cimento voando pra todo o lado. Pra piorar, o buraco estava arenoso e o cimento não grudava, pensei que devia umidece-lo antes, deu certo. Depois de alguns erros, já estava ficando craque no cimento, tapei vários buracos e nem doeu tanto assim!

O pior de tudo é a bagunça que fica...Sem falar das minhas mãos, todas enrugadas pelo contato com a massa.

Mas no final de tudo, tirei algumas conclusões:

As coisa parecem bem mais difíceis enquanto estão em nossa mente apenas;

Podemos fazer qualquer coisa, basta usar a inteligência e dar o primeiro passo;

As coisa que duram fazem muita bagunça, mas o benefício é bem maior que o trabalho;

Cada um tem que tapar o seu próprio buraco para que a sua casa permaneça de pé e alguém possa morar nela;

Quem espera cansa;

E que apesar de tudo, vale a pena fazer o possível para se ter o melhor.

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