quarta-feira, 15 de abril de 2009

Moscas reflexivas


O corpo tomba, embora as pernas continuem rijas, e a cabeça não é mais capaz de suportar o seu próprio peso, que aumenta a cada segundo. Dentro dela esvoaçam meditações cansadas e cansativas, sem pé nem cabeça e que nunca aterriçam em lugar algum. Estas nascem em um local onde as dúvidas se fazem, e morrem onde as certezas se esvaem...Gostam de atormentar os desavisados, adoram zumbir em seus ouvidos. Não deixam ninguém dormir em paz!


Que alívio seria espantá-las para o além, onde não mais fariam ninguém chorar diante das constatações mais óbvias! Por que elas insistem em nos fazer ver o dia ofuscante até que a luz nos cegue para o conforto da dúvida?


Que triste é a verdade... Que triste é o mundo real! Ele nos traz sentimentos infinitamente inferiores aos que desejamos cultivar, ele é áspero demais para os nossos joelhos, e nele, temos que rastejar!


Oh, alma cansada! Levanta a sua cabeça pesada, saia da cama em que se deitou! Estique o seu corpo fatigado e vá para mais uma luta, que a vida não tocará o segundo sinal e não lhe dará os 15 minutos de tolerância! Estale os seus ossos enferrujados e ponha-os para trabalhar novamente!


Levantem-me! Ergam-me das pedras e ponham-me novamente em meu caminho! Espantem as moscas reflexivas de minha mente, ofusquem essa luz brilhante dos meus olhos e deixem-me viver no marasmo das minhas certezas tolas.




Um comentário:

  1. Um peso que passa da alma para o corpo, um sofrimento que transita pelo corpo, alma, mente...tudo se confunde e se funde e se perde e encontra. Tudo somos nós. Abraços.

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