domingo, 25 de janeiro de 2009

Arrancando os muros


O maior mal que a pessoa pode carregar dentro de si mesma é a mágoa! A mágoa corroe lentamente todos os bons sentimentos e aniquila todos os bons momentos, ela traz a angústia e a dor, nos joga dentro de um tornado de tormentos infindáveis. Mas existe ainda o filho da mágoa, esse sim é amarguroso e amargoso, esse é mau-humorado, é triste e carrega um saco de bosta enorme em suas costas, o seu nome é RANCOR. O Rancor é capaz de detruir uma vida inteira quando não pode ser arrancado de dentro de um peito desconfiado.

Lembro-me de uma reportagem que vi há algum tempo na TV, que mostrou um exemplo muito bom do que a mágoa e o rancor são capazes de fazer com a vida de várias pessoas; O casal, já idoso, não trocava uma só palavra, toda a comunicação era feita através do filho, que repassava as falas do pai para a mãe e vice-versa:

_Eu tava querendo um pedacinho de bolo.

Resmungava o pai para o além.

_Mãe, o pai ta querendo um pedacino de bolo!

Repetia o filho, mesmo que a mãe estivesse presente e já tivesse ouvido o sussurro do marido. O pior é que esse drama tinha exatamente a idade do filho, que acabou servindo de intermediário desse casal, separado pela mágoa, pelo rancor e pelo silêncio.

Quando o filho nasceu, o pai começou a desconfiar da esposa, pelo fato de o filho ser muito mais claro que ele, isso gerou brincadeiras e mágoas. Atormentado pela dúvida e pelo rancor, o homem nunca mais falou com a mulher e viveu uma vida inteira triste e amargurado, assim como a esposa ofendida e injustiçada, e o filho, pobre vítima da ignorância.

Quando eu era adolescente, sentia que havia uma barreira impedindo os meus sentimentos de se externarem. Isso era dolorido, não conseguia chorar, não conseguia gritar, só conseguia amarrar aquela dor, aquele ódio, cada vez mais dentro de mim, a ponto de sentir que o meu peito explodiria! Sentia que um monstro queria sair de minhas entranhas, um monstro que me corroía, me incendiava e me queimava, sem que eu encontrasse ânimo para apagar todas as suas chamas.

Depois de algum tempo, percebi que eu poderia viver melhor com todos, que eu não precisava e nem era bom que eu guardasse rancores por coisas sobre as quais nem eu mesma tinha controle, era um desperdício de tempo e de vida. Foi difícil remover as mágoas, os costumes, os complexos e o muro, mas lentamente estou conseguindo. Quando algo me põe em dúvida ou me desagrada, procuro expor os meus sentimentos imediatamente, não quero mais levar isso dentro do meu peito. Agora tento não ficar mais remoendo coisas que me maltratam, criei um botão delete na minha mente e no meu coração. Procuro enxergar as pessoas, todas elas, como seres incapazes de controlar tudo, e que às vezes não têm consciência da imensidão do mal que podem estar me fazendo. Imagino que elas ignoram, e realmente é verdade, tudo o que se passa dentro de mim, todas as minhas expectativas em ralação à elas, e toda a frustração que elas podem estar me causando. Não sei se posso dizer isso, mas as perdôo, pois não sabem o mal que me fazem! E as que sabem, não perdôo, somente as apago, não as desejo mal, simplesmente não às desejo nada.

Assim aprendi a ir me purificando.Falta muito ainda, Ô, se falta! ,quando olho para trás, vejo que a menina rancoroso e fechada está ficando cada vez mais e mais distante, graças à Deus!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Copia e cola

Caetano Veloso
Queixa
Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não devia ter despertado
Ajoelha e não reza
Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza
Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa
Um amor assim violento
Quando torna-se mágoa
É o avesso de um sentimento
Oceano sem água,

Ondas, desejos de vingança
Nessa desnatureza
Batem forte sem esperança
Contra a tua dureza
Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente,
Um amor assim delicado
Nenhum homem daria
Talvez tenha sido pecado
Apostar na alegria
Você pensa que eu tenho tudo
E vazio me deixa
Mas Deus não quer que eu fique mudo
E eu te grito esta queixa
Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Amiga, me diga...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Lar abandonado

Por quê teimar em abrir as portas
Se não querem entrar?
Querem apenas olhar os canteiros, sentir o aroma das flores e arrancá-las;
Querem sentar nos bancos, olhar a lua cheia e partir quando o sol raiar;
Querem provar das frutas e deixar os bagaços no pomar...

O mato já envolvia o quintal,
As teias ornamentavam os portais e os cantos de tudo,
Mas, ainda assim, era confortável.

Não havia o perigo do novo,
Não havia um jardineiro
Que deixaria a beleza entrar por alguns instantes,
Não havia ninguém pra bagunçar.
Porém, alguém chegou e comeu todas as frutas,
cheirou todas as flores,
invadiu a casa,
Mas, logo partiu,
Deixando apenas as doces lembranças
e o sentimento estranho
de lar abandonado.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Recorta e cola

Ainda para as mulheres de trinta ou mais
(Essa é velha, mas é ótima!)
Isto é para as mulheres de 30 anos pra cima…E para todas aquelas que estão entrando nos 30,e para todas aquelas que estão com medo de entrar nos 30…E para homens que têm medo de meninas com mais de 30!!!“ A medida que envelheço, e convivo com outras,valorizo mais as mulheres que estão acima dos 30.Estas são algumas razões do porquê:
- Uma mulher de 30 nunca o acordará no meio da noite para perguntar: “O que você está pensando?”Ela não se importa com o que você está pensando,mas se dispõe de coração se você tiver intenção de conversar.
- Se a mulher de 30 não quer assistir ao jogo, ela não fica à sua volta resmungando.Ela faz alguma coisa que queira fazer.E, geralmente è alguma coisa bem mais interessante.
- Uma mulher de 30 se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer.Poucas mulheres de 30 se incomodam com o que você pensa dela ou sobre o que ela esta fazendo
- Mulheres dos 30 são honradas.Elas raramente brigam aos gritos com você durante a ópera ou no meio de um restaurante caro. É claro, que se você merecer,elas não hesitarão em atirar em você, mas só se ainda sim elas acharem que poderão se safar impunes.
- Uma mulher de 30 tem total confiança em si para apresentar-te para suas melhores amigas.Uma mulher mais nova com um homem tende a ignorar mesmo sua melhor amiga porque ela não confia no cara com outra mulher.E falo por experiência própria. Não se fica com quem não confia, vivendo e aprendendo né???
- Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem.Você nunca precisa confessar seus pecados para uma mulher de 30. Elas sempre sabem...
- Uma mulher com mais de 30 fica linda usando batom vermelho. O mesmo não ocorre com mulheres mais jovens.
- Mulheres mais velhas são diretas e honestas.Elas te dirão na cara se você for um idiota,se você estiver agindo como um!
- Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela. Basta agir como homem,e o resto deixe que ela faça.
Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 por um “sem” números de razões.Infelizmente, isso não é recíproco.Para cada mulher de mais de 30, estonteante,inteligente, bem apanhada e sexy,existe um careca, velho, pançudo em calças amarelas bancando o bobo para uma garçonete de 22 anos.Senhoras, EU PEÇO DESCULPAS:Para todos os homens que dizem,“porque comprar uma vaca se você podebeber o leite de graça?”, aqui está a novidade para vocês:Hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento, sabe por quê?Porque as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça. Nada mais justo.”
(Arnaldo Jabor)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Mulher de trinta e poucos.


Depois que fiz os meus trinta anos, entrei em uma profunda depressão e enfrentei uma crise existêncial, sentia-me velha, ultrapassada e já com pouca vida pra realizar os meus tantos planos de infância e adolescência. Eu não sabia mais quem eu era e para onde eu estava indo, e nem me lembrava mais de onde vinha, não sabia o que eu queria, mas, ao menos sabia o que eu não queria. Era como se eu estivesse começando do zero, mas com quase nenhum tempo para me realizar.Queixando-me de minhas frustrações, Adélia, professora de teatro, me indicou o livro "A mulher de trinta anos", de Balzac, como conforto. Confesso que a história me pareceu um tanto cansativa, devido à sua linguagem e ao estilo literário, mas algumas observações feitas pelo autor me agradaram e muito:


'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'.


Esse trecho, escrito há uns 150 anos, soprou uma brisa de paz e vaidade em meu coração e em meu corpo.

Passada a crise maior, me vi obrigada a enfrentar os medos e os fantasmas e me redescobrir, em todos os sentidos. Aos poucos percebi que eu não era mais aquela menina bobinha que tinha vergonha de pegar ônibus, apesar de continuar tímida.Eu estava finalmente percebendo que era uma mulher de verdade, com sonhos e desejos, sim!Eu tenho desejos de todos os tipos! Sou um ser vivo, um ser humano. E que mal há nisso?

Estava lendo aquele livro "Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?", e uma questão me chamou a atenção, justamente aquela que fala sobre a curva do impulso sexual durante a vida dos homens e das mulheres. O gráfico mostrou que o impulso sexual nas mulheres chega ao máximo por volta dos 36-38 anos de idade, e a dos homens, aos 19. Isso explicaria a "síndrome do garotão", mulher mais velha/homem mais novo, quando são compatíveis sexualmente falando. Eu não gosto muito desse tipo de livro, mas sempre conseguimos tirar algo proveitoso de tudo. Bem, analisando o início da minha vida sexual, penso que essa pesquisa mostrada no livro deve ser verdadeira, pois aos 20 anos eu ainda não estava preparada para uma vida sexual plena e satisfatória. Cheguei a me sentir "anormal" e a sofrer muito por essa questão. A verdade é que muitas mulheres jovens ou não, são injustiçadas por pura imcompreensão de seus mecanismos de funcionamento, é triste. Mas o fato é que, segundo o livro, eu estou apenas começando a aquecer os motores!

Depois de tudo isso, só posso concluir que estou vivendo a melhor e mais intensa fase da minha vida, então, que bom!



Até chegar aos quarenta...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Eteviana

O dia estava quente, era mais uma tarde de verão, daquelas onde o asfalto ferve e as cores são intensas e vibrantes, quando os corpos não querem trabalhar muito. Eteviana nunca tinha sentido em sua pele bege aquele calor tão forte, estava se sentindo preguiçosa e disposta a se deitar em uma rede até o dia terminar e se refrescar. Apesar dessa disposição, ou indisposição do seu corpo, o coração não batia no mesmo ritmo, não depois da noite em que conhecera aquele ser especial! Ela tinha seguido todos os passos que a amiga a ensinara, fingir ignorar, fazer charminho, jogar um cabelo, dar sorrisinhos, e todas essas coisas que para ela não faziam sentido algum. O engraçado foi que acabara descobrindo o gosto daquelas brincadeiras, não era só fazer gestos e caretas sem sentido, havia prazer naquele joguinho de sedução e poder. Aos poucos ela estava conseguindo compreender algumas das práticas humanas de acasalamento, o seu objeto de estudo. Ela não contava, no entanto, que acabaria se jogando de corpo e alma em uma dessas experiências e sentindo na pele os prazeres e os sofrimentos de quem está enamorado.

A noite estava muito quente, apesar da chuva que havia caído. Os corpos estavam todos suados e assanhados, havia um aroma diferente no ar, não apenas aquele aroma dos perfumes misturados aos das bebidas, mas o aroma dos corpos que se querem atrair. Toda aquela agitação e todos aqueles perfumes instigavam e muito os sentidos de Eteviana. Pela segunda vez dentro de uma boate, e desta vez, um pouco mais bem-preparada, Eteviana pode observar com maior atenção as ações e reações dos seres alí presentes: todos muito alegres e eufóricos, muito disponíveis e dispostos, exalando charme e beleza, até os que não eram belos.

_Vamos, Viana, vamos dançar!

Chamou a inseparável amiga e consultora.

_Ah, não, eu não sei dançar! Nunca dancei na vida!

_Deixa de ser boba, tem coisas que a gente já nasce sabendo! Vem!

Eteviana não estava ali para brincadeiras, mas para pesquisar sobre todos os detalhes dos costumes humanos, por isso abandonou a vergonha e foi para o meio do salão com a amiga, experimentar mais aquele estranho ritual.

_Isso, Viana, mexe o esqueleto! Hoje Cê vai aproveitar, viu, Viana, vai dançar até! E vai beber também, bebe aqui um pouquinho dessa Cuba!

Sem ter como recusar, Eteviana se viu obrigada a ingerir o curioso líquido escuro.Para a sua surpresa, a bebida era agradavelmente estranha, constatou que era levemente gasosa e alcoolica. Eteviana já tinha ouvido falar sobre as alterações que o álcool era capaz de causar nos humanos, e não queria que os seus reflexos e o seu poder dedutivo fossem prejudicados por esse elemento, mas depois, chegou a conclusão de que essa seria uma experiência boa para os seus estudos.

A alienígena estava em sua segunda dose e estava se sentindo tão relaxada e desinibida, que achou o dado muito interessante. Na pista se mexia como ninguém, mesmo que desajeitadamente. Acabou por chamar a atenção de um jovem que estava sentado no bar, observando os "animados". Eteviana dançava descontraídamente quando os seus olhinhos roxos se cruzaram com os do belo rapaz do bar, ela nunca pensou que o calor pudesse aumentar tanto e de uma vez só. Suas faces pálidas se ruborizaram e ela errou o passo de dança, saiu totalmente do rítmo. Ela então se lembrou do que a amiga havia lhe dito, fingir que não estava interessada. Era muito difícil fingir e não olhar para aquele jovem tão atraente, não fazia sentido, mas ela se conteve. depois se lembrou dos sorrisinhos e das jogadas de cabelo, isso ela fez até sem perceber. Ela era uma extra-terrestre e aquele cara era um humano, será que ela deveria ir tão longe em suas pesquisas ao ponto de experimentar em vez de só observar?

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