terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Conselhos de amor


Alguns inventam belas palavras capazes de estremecer os mais duros e secos olhares e de convencê-los de que aquele conceito sobre o amor é o verdadeiro; Outros, escorados por vivências desastrosas ou menos glamourosas, insistem em contrapor tais conceitos nos esfregando algumas duras realidades em nossos pobres e esperançosos rostos. Qual desses dois grupos estaria certo, ou , qual desses conceitos se encaixaria melhor na maneira  em que escolhemos para viver nesse século? 

Ah, o amor...Mas que sentimento doentio! Ele nos faz sofrer e nos alfineta durante as 24 horas do dia, acordados ou dormindo (na realidade ficamos sempre dormentes)! Ou se trataria da paixão, essa doença que altera todo o nosso metabolismo? Alguns perdem a fome, sentem calafrios, outros comem demais, perdem o sono, fogem da realidade e revivem intensamente e repetidamente cada palavra, cada gesto e cada suposição, de maneira exaustiva.

Sim, paixão! Muitos distinguem esses sentimentos da seguinte forma: 

Paixão: Reação que uma pessoa passa a sofrer por outra de maneira incontrolável e inexplicável, onde ocorrem visiveis alterações corporais e químicas, fazendo com que esta pessoa venha a agir de maneira estranha a habitual.Quando a pessoa se encontra em estado de paixão, demosntra alguns sintomas de fixação e obcessão pelo objeto de paixão; sua pulsação se altera apenas com as lembranças de momentos, gestos, palavras ou suposições, é como se uma droga natural agisse sobre esta pessoa. Alguns dizem que esses efeitos prazerosos que a paixão produz tem um tempo de duração.

Amor: Sentimento consciente adquirido pela convivência, quando são formados os conceitos sobre a pessoa amada, baseados em admiração, companheirsmo e respeito. É o bem estar, a calma, o prazer de compartilhar, a serenidade e o desejo de estar juntos.

Para a maioria dos casais a paixão é o primeiro sentimento a ser despertado na relação, e como a paixão não é disparada por uma experiência racional, pode ter um tempo de duração bem curto, dependendo da personalidade de cada um.O amor pode vir com o tempo, se a admiração acompanhar o casal. Pode acontecer também que o amor venha antes, quando as duas pessoas tem uma convivencia proxima e passam a se perceber e a criar uma admiração mútua (ou não). Talvez a paixão venha, ou talvez vivam apenas o doce e terno amor.

O Amor foi criado e o seu conceito se modifica a cada geração, mas a verdade é que cada ser humano, seja de que continente, raça ou religião for, precisa desesperadamente de se sentir especial para alguém e deseja sentir esses efeitos maravilhosos trazidos pela paixão e pelo amor.Queremos os benefícios mas não que estes tenham um prazo de duração! Quremos que esses sentimentos sejam eternos e sempre pairem sobre nós com os seus louros.

A grande questão é: "Estamos preparados para um amor eterno? Para a monogamia?"

Penso que pairam inúmeras questões dentro destas.Primeiramente devemos saber que tipo de pessoa nós somos nos fazendo as perguntas: Sou uma pessoa calma ou gosto de festas? Sou uma pessoa que gosta da vida caseira? Sinto-me feliz estando em casa com a família, ou preciso sempre sair e ver pessoas e coisas diferentes? Sempre necessito de novidades no campo afetivo? O que mais valorizo, os momentos de intenso prazer ou uma vida inteita de compartilhamento? Gostaria de fazer sexo com a mesma pessoa pelo resto da vida ou prefiro ficar livre para experimentar novas experiências a todo o momento? Prefiro comemorações familiares as festas com amigos? O meu maior prazer é baseado em momentos sem compromisso ou em compartilhar momentos com quem eu tenha confiança?

Isso não quer dizer que uma pessoa deve ter apenas uma maneira de agir durante toda a sua vida, mas deve observar as suas preferencias e o que a faria feliz mais frequentemente. A maioria das pessoas gosta de passar momentos com a familia, assim como ter momentos para os amigos, mas devemos definir o nosso estilo de vida para saber quem somos dentro dos valores que pesam hoje em nossa sociedade e principalmente nos relacionamentos.

Feito uma auto-avaliação (coisa dificílima), penso que o próximo passo é saber o que gostaríamos de encontrar em uma pessoa, o que nos é insuportável e o que é irrelevante. Coisa mais difícil ainda, mas se conseguirmos saber o que não aceitaríamos de forma alguma, já nos dá muitas chances de acertar.Algumas questões seriam relevantes para se definir um parceiro mais adequado: A condição financeira dele é importante? A sua religião? Sua cor? Que tipo de relacionamento ele precisa ter com a família? Ele pode gostar de festas e de se divertir sozinho? ele tem que gostar e querer ter crianças? que papel eu farei em sua vida? O tipo de mulher que ele busca é compatível com a mulher que eu sou?

Falando isso parece fácil encontrar o amor ideal e os sentimentos prazerosos que a paixão e o amor nos trazem, mas um relacionamento entre duas pessoas não é feito só entre duas pessoas, ah não! A primeira coisa a saber é em que lugar você vive e como o relacionamento é visto dentro desta cultura. Se você vive no interior do Brasil, as pessoas vão esperar que você se porte de uma maneira diferente da maneira que você se portaria nos grandes centros. Agora, se você mora no Brasil e o seu amado mora na Índia, por exemplo, talvez você tenha alguns problemas, pois entre essas duas culturas existe uma diferença considerável. Você terá que saber sobre o que todos esperam de você, que conduta deverá ter e decidir se a vida com o seu amado é a vida que vai querer levar.

O amor também não é feito só de "I love you" e "sweet words", ah, não! Existe uma frase que diz: "Quando a fome entra pela porta, o amor sai pela janela." Então, será que devemos amar só os homens ricos que irão nos sustentar? Não exageremos.Graças à Deus a mulher trabalha e consegue o seu próprio sustento, não precisa de um "provedor".No entanto, um relacionamento pode não suportar as crises de stresse frequentes e duradouras,Tendo em vista que buscamos paz e prazer nos relacionamentos e que preocupações diárias com a própria subsistência estão longe de nos proporcionar esses sentimentos, alguns conflitos se avistam ao longe. Nesse caso entram as questões que devemos nos fazer sobre o que queremos e sobre o que somos capazes de suportar. Penso que quando dizemos amar uma pessoa, esse sentimento não se evaporare por uma crise, mas se a pessoa amada se mostra indiferente à situação que nos causa sofrimento, se não se esforça em tentar mudar, a admiração e o respeito irão para o espaço e junto com eles, o amor. É diferente viver ao lado de uma pessoa que luta para conseguir uma situação melhor e por isso comemos pão seco, de viver ao lado de outra pessoa que não está preocupada se amanhã termos pão seco para comer.

Gentileza sempre! Aquela velha história, tem que regar! Lembre-se de que todos nós queremos ser especiais, o tempo todo!Não dói dizer palavras agradáveis, ao contrário, só faz florescer em toda a parte coisas melhores ainda.

Respeito às diferenças! Cada um é um universo, devemos saber os nossos limites e o do outro.Nada de metade da laranja, cada um tem o seu mundo e quer estar junto pra compartilhar bons momentos.

Abra os seu olhos! Muitas vezes ficamos esperando um príncipe encantado(até hoje, aff), ou ficamos encarnada em uma idéia fracassada enquanto existem milhares de pessoas maravilhosas por esse mundo de meu Deus.Mas se as nossas portas estiverem fechadas, nada irá nos agradar e ninguém irá bater.

Seja verdadeiro! Joguinhos de amor cansam e machucam, ninguém gosta de ser um brinquedo.Porém, é bom ficar sempre com um pezinho atras e não entregar o ouro logo, por que aprendi que as pessoas não gostam do que está disponível, vai entender.

Sei lá, é isso e um pouco mais que estive pensando nesse últimos anos sobre o amor, a paixão e tudo o mais.Vi cada história, algumas felizes, graças à Deus, mas a maioria triste de amores fracassados, de pessoas que se entregaram a uma só paixão e deixou a vida para trás, de gente que fez péssimas escolhas e nunca fez nada pra mudar...Não sei se esses conselhos funcionam, a primeira que tem que levá-los a sério sou eu mesma.Só sei que o ser humanos precisa de amor, por ele vive, por ele se move e comove.





domingo, 20 de dezembro de 2009

Viagem

Tormento, não acompanhe os segundos,
Não queira se arrastar por entre as brechas,
Não se porte como o cimento
quebrando as pontas das flechas.

Noite, dia, começo e fim.
Revelada covardia 
Que não tem pena de mim!

Ai, como dói acordar
E como dói não dormir!
Como dói sonhar
Sem poder partir...

Nem nos sonhos encontro
A paz que almejei,
Acordada, sonho
Dormindo, fiquei.

Noutros planos busco
o que nestes perdi.
Sem saber, ofusco
o que nunca vi.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tenho medo

Sempre tive medos, muitos e muitos medos, a maioria sem explicação aparente, mas todos bem reais aos meus olhos.

Hoje eu tenho o maior medo de chuva preta com trovoada branca, daquelas que fazem as paredes da casa estremecerem e os ossos dançarem junto com elas. Mas eu não imagino que um raio possa me atingir e me fulminar, não tenho medo de ficar surda com o barulho da trovoada, nada disso me amedronta.Eu apenas sinto um medo e uma vontade de estar aconchegada, de ter um braço e um cobertor em minha volta para que eu me sinta protegida.

Outro medo que sinto é o de pessoas mortas, mas o que me apavora também não é a sensação de que a pessoa possa se levantar do Mundo-dos-que-já-foram, nem o medo de que seu fantasma ou alma venham me perseguir, ah, não! Tenho medo de tocar, de estar ao lado de um corpo que já nao tem vida, por que eu não sei o que isso significa, é muito assustador pra mim!

Tenho medo de que eu nunca consiga realizar algum sonho de infância e de que a vida seja só isso que vivo hoje, que ela já esteja resolvida e acabada. Tenho medo de nunca poder conhecer outras gentes, sentir outros aromas, ser iluminada por cores diferentes, admirar flores e vidas estranhas para mim e perceber que tudo é uma coisa só.

Tenho medo de descobrir que toda a minha luta foi inútil, que todos os meus sonhos eram idiotas, e que eu também fui uma idiota.

Tenho medo de ter a certeza de que as pessoas realmente  são tudo o de pior que vemos, de que tudo é mentira,  um teatro de manipulação, e de que eu sou uma das protagonistas.

Tenho medo de que essa tempestade que me assombra lá fora nunca cesse aqui dentro, e de que eu sempre esteja a espera de um braço e de um cobertor.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

As encalhadas

Mais um dia



Saiu de casa desanimada, sem nenhum objetivo além de realizar as suas tarefas habituais e voltar para o seu aconchegante quarto, onde finalmente iria se sentir livre e confortável, se jogar em sua cama antiga e cheia de ácaros já conhecidos, com os quais formalizara um acordo de convivência pacífica. 


Em nada pensava e nada desejava até que um suave perfume lhe chamou a atenção. Era um perfume muito meigo e sensual, era cítrico com o final adocicado, parecido com o aroma do capim ao final da tarde. Suas narinas instintivamente se dilataram para captar mais daquele aroma, assim como para decifrar o enigma de seu portador. 



Não precisou esperar muito até que o ônibus voltasse a andar e o senhor do perfume se sentasse exatamente ao seu lado. Bethânia quis muito olhar para o lado, mas não era de seu desejo que os seus pensamento fossem descobertos. Aguardou alguns minutos até que, pela visão de canto do olho, pode perceber que o ser misterioso se distraía com algo no exterior da janela, ao lado oposto do que estavam. Rapidamente ela olhou para o dono do perfume preparada para desviar o olhar para o além do horizonte, caso ele voltasse à sua posição normal. Percebeu que além do aroma ele tinha também um rosto peculiar, nada habitual em seu ambiente tão habitual. O nariz era anguloso, a boca pequena e ornamentada por um cavanhaque preto, tinha os olhos castanhos escuros e amendoados, como os de um ratinho astuto. Os cabelos eram também castanhos escuros e médios, as sobrancelhas eram grossas formando um belo casal de quatro com os olhos. 



Bethânia se perdia em pensamentos quando notou que o seu companheiro de poltrona se virava para ver quem estava, insistentemente, com o rosto voltado para ele.Quando os olhos de ratinho astuto chegaram aos olhos cor de mato seco, estes caíram de repente e logo se esquivaram para fora do ônibus. A menina não conseguiu conter o seu sorriso, nem o rapaz diferente. Bethânia sentia o rosto quente como se estivesse febril, não conseguiu agir naturalmente, parecia que as suas mãos não lhe pertenciam, não tinham lugar naquele espaço.



O ônibus seguiu a sua trajetória com suas descidas, subidas e curvas sinuosas, ia  se aproximando do ponto de descida da moça, o que a entristecia, pois se veria longe do perfume que  a distanciara e dos olhos que a fizeram corar. De soslaio fez suas últimas e derradeiras análises:




_Hum, que braços cabeludos! os sapatos são meio antiquados, se os visse separados, acharia que eram de um velho. As calças estão um pouco surradas, e a camisa esta cheia de bolinhas...Será que ele mora sozinho? Deve jogar a roupa na máquina e colocar pra secar. Acho que ele não deve ser brasileiro tem cara de argentino, uruguaio, sei lá. Mas com esse perfume...Uai, espera aí! Droga, uma aliança! Peraí, deixa eu ver direito se é na mão esquerda ou direita. Bosta, é na esquerda! Só podia ser, os bons sempre tem dona. Quando eu me casar, não quero essa palhaçada de aliança.



Perdida em suas analises reflexivas, quase perdeu também o ponto. Se levantou apressada, o ratinho astuto se contorceu oferecendo a passagem e um sorriso. Bethânia retribuiu e seguiu o seu caminho, com o perfume em suas narinas e em sua memória, ansiosa pela noite, quando iria se deitar com os ácaros e sonhar com os ratos.

sábado, 12 de setembro de 2009

Essa é do fundo do meu baú

Mundo cruel
Mundo cruel, mundo sombrio,
Mundo que roda, mundo que gira...
Que mundo é esse, meu Deus?
Mundo frio.
Mundo que sempre capricha na mira!
Deus fez os homens...Pra quê?
Pra quê animaizinhos?
Brinquedos de papel machê caindo pelos caminhos.
Vida, existência,
Tão vazias quanto o resto!
Clemência!
Por que tudo é tão funesto?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Natureza


Há muito já havia desistido de conhecer o sentido da vida e abandonado questões tais como: "de onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde iremos? Há motivo para a vida?" . Obviamente não terei respostas convincentes, a não ser que eu comece a ter fé e abrace alguma teoria religiosa reconfortante. Quem me dera ter essa capacidade, ter essa certeza de que há um destino, um rumo, um Porquê...


Não tenho uma bandeira salvadora, gostaria de abraçar uma causa, de lutar por um ideal. Gostaria de saber se devo tomar algum rumo ou se tudo o que acontece em minha vida já é predestinado, que todo o meu calvário é parte de um plano superior com algum significado afinal. Gostaria de saber se é conveniente que eu ainda tenha esperanças e ainda acredite nas pessoas. As pessoas sempre me decepcionam.


Parei de julgar os motivos alheios para a causa do "mal", mas ainda não deixo de me surpreender com o "outro". Talvez por que eu sempre veja o próximo como um espelho, sempre espere que ele tenha o mesmo íntimo, a mesma maneira de pensar, de sentir, de agir, de receber as obras que a vida lhe traz. Eu me esqueço de que cada um tem uma história infinitamente cheia de detalhes diferentes, de que esta história pode ser triste, frustrante, mas de maneira totalmente diversa das minhas, e que essa pessoa possa ter vivenciado tudo de uma maneira mais profunda e dolorida do que eu teria. Eu não imagino nunca que esse com quem eu convivo no meu dia-dia possa me enxergar de uma maneira distorcida, e que possa ver em cada gesto meu um motivo para me odiar. O "outro" pode viver em um mundo fantástico, cheio de invenções, de regras e lógica próprias, onde o meu Eu nunca poderá chegar. Às vezes eu me esqueço de que cada um é um mundo totalmente desconhecido e inexplorado, e me esqueço que não conheço nem a mim mesma.


Ingenuidade maldita! Sempre confio, sempre me entrego, sempre espero. Mas, afinal, isso é parte do meu universo, da minha natureza, como a do escorpião que sempre pica a mão de quem quer tirá-lo do buraco, e da mão, que mesmo sendo picada pelo ingrato, não deixa de tentar salvá-lo. Faz parte de mim esperar sempre o melhor. Talvez faça parte de mim levar sempre a pior...


Não sei se há um sentido para essa vida, se há um motivo para que essas coisas aconteçam, desconheço os motivos pelos quais insisto nos mesmos caminhos, o que sei apenas é que desejo encontrar o melhor, sempre, e é assim que enxergo todos os que encontro em meu caminho, mesmo que me decepcionem.


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Alegria!



Meu blog às vezes fica taciturno, não quer dizer que eu esteja sempre assim. Acontece que as forças que me impelem a escrever com mais veemência são as que nascem desses momentos de reflexão, quando o coração está nublado, mas são pequenos momentos que logo se clareiam com a luz da vida.


Para alegrar um pouco esta página, coloquei aqui uma das cenas que mais gostei em "Tempos Modernos", filme do extraordinário Charlie Chaplin. Essa cena em que os cientistas inventam uma máquina para agilizar o almoço dos funcionário é hilária! Rir é o melhor remédio, sem dúvida!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Viagem de ônibus em Ouro Preto



É cada coisa que acontece em Ouro Preto que parece até invenção de mentes alucinadas! São eventos engraçados, episódios fora de propósito, casos assombrosos, macabros, situações que permeiam o inverossímil.


A personagem mais comum de ser encontrada na cidade é a figura do "louco", vestido de vários figurinos, com suas peculiaridades, sejam artísticas ou desvairadas. Há a dona de fala rouca e embolada, que faz que chora quando os moleques lhe enchem a paciência, carregando sempre a sua flauta doce e um sorriso faltoso na boca. Todos adoram imitá-la, e é divertido ver como cada pessoa imita a sua fala de uma forma mais engraçada que a outra. Há o careca que sai na banda, a doninha que rouba revistas e fica escrevendo não-sei-que nelas, no meio da rua, o cara que cata tocos de cigarro no chão e dá tapa nas pessoas, e muitos outros que já se foram e que ainda estão por aqui, mas o que me divertiu no outro dia, foi um tal de "Bichão".


Eu estava dentro do ônibus, pensativa pelo longo caminho que o ônibus faz para chegar até o ponto mais próximo da minha casa, quando o tal do Bichão entrou. Se ele tivesse entrado só, não causaria nenhum espanto, mas...


Todos podem imaginar o motivo para que ele tenha esse apelido! Eu me lembro também de uns tempos em que ele tinha cismado em andar com a cabeça virada para cima, olhando para um ponto no céu, meio torta para o lado, pensei que nunca mais ele fosse endireitar aquelas fuças, mas eis que num dia, depois de muito tempo torto, o vejo com a cabeça direitinha no lugar! Vai ententer as "cabeças tortas"! Muitas vezes, também observei que ele usava esmalte vermelho em suas unhas, apesar do apelido, se preocupava com a aparência!


Voltando ao ônibus, o Bichão entrou acompanhado de dois amigos: dois vira-latas enormes e pretos. Eles entraram pela porta da frente. As pessoas dentro do ônibus se entre olharam assustadas, o trocador perguntou ao motorista se ele deixaria que aquilo acontecesse.O motorista disse:_Eles são os amigos dele! Eu não aguentei aquilo. O mais engraçado foi ver a expressão de susto e de curiosidade das pessoas que iam entrando no Ônibus, sem entender o que estava acontecendo. Os cães foram viajando como surfistas, se equilibrando perto de seu dono. O bichão tinha se sentado no primeiro banco, ao lado de uma senhora, que se encolhia para não ter muito contato com o dono dos animais.Um cachorro se assustou e se enfiou debaixo do banco ficando com o focinho encostado nas pernas da senhora, foi hilário.Eu tive que dar algumas risadas.


Infelizmente não pude ver como terminou a viagem dos companheiros, meu ponto era antes do deles.Mas esse pequeno episódio me deu um pouco de alegria, trouxe um pouco de riso para o meu dia tão stressado.

domingo, 5 de julho de 2009

Doce Vampiro

Passam os tempos e o poder de sedução das personagens noturnas continua intocável, e a mais sedutora delas ainda é o vampiro. Por que será que esse ser maligno, que sobrevive às custas do sangue de inocentes, ainda traz tanta magia aos corações e mentes das moçoilas? O que esse monstro frio e calculista pode oferecer às pobres almas viventes em seus devaneios?

Com exceção de Nosferatu, a maioria dos vampiros que já vi nos cinemas é bela, mas essa é uma das características dos vampiros mais recentes. A beleza é uma arma para facilitar a captura de suas vítimas, geralmente, moças sonhadoras. Essas criaturas possuem olhar profundo e hipnótico, voz aveludada, conversa envolvente. Essas qualidades poderiam servir de argumento para justificar o grande carismas que o bicho possui entre as mulheres, mas não é o suficiente, levando-se em conta que, muitos vilões com aparência de Deus grego já foram odiados por toda a humanidade. Não basta ser belo, tem que ter um poder a mais!



Que poder é esse? Freud explica?


Um vampiro é imortal, ou morto-vivo, sei lá que diacho, só sei que nunca sai da face da terra, a não ser que um caçador de vampiros enfie uma estaca de madeira em seu coração, que a luz do sol o atinja ou que seu corpo seja cortado em pedaços e queimado; ele nunca envelhece, permanece belo e perfeito por toda a eternidade; ele necessita sugar a outra pessoa para sobreviver, ele precisa disso, sente prazer, depende de suas vítimas para continuar de pé.


Quem não idealiza um amor eterno? Talvez, se o vampiro se apaixonasse por uma mocinha romântica, ele pudesse transformá-la em uma vampirinha para que os dois pudessem se amar eternamente, amor perfeito. A não ser que esse vampiro seja bom e "vegetariano", como Edward Cullen de Crepúsculo, esse terá crise de consciência e será ainda mais amado por todos.

Quem não gostaria de estar sempre ao lado de uma pessoa bela e ter a certeza de que ela será sempre bela, nunca haverão rugas, barriga pelancuda, orelhas caindo, cabelos brancos, dentes amarelados e saúde debilitada, só as coisas boas para sempre!


Por fim, as pessoas sempre trazem em seu inconsciente, subconsciente ou no consciente mesmo, o desejo de possuir o ser amado, de ser "devorado", de ser sugado e de sugar todos os fluídos, toda a alma; o vampiro suga o o outro, suga a vida, e faz isso com uma sensual mordida no pescoço. Estranhamente sedutor...


"Venha me beijar, meu doce vampiro, uouou, na luz do luar..."

O vampiro é uma criatura das trevas, porém transita nos desvarios de muitas senhoras e senhoritas. E se o vampiro for igual ao bonzinho, belo e dedicado Edward então, mata só de olhar!


Talvez a autora do livro tenha descoberto os segredos e desejos que habitam dentro de cada um de nós, especialmente nas mulheres; eis aí a chave de seu sucesso! Ela nos trouxe de volta um sentimento inocente e primitivo, que nos faz lembrar dos primeiros amores, das primeiras paixões, dos primeiros sonhos de amor eterno.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Palavras, apenas...


Muitas vezes ouvi dizer que as palavras possuem força, e, como a todas as frases feitas, aceitei mais essa sem refletir sobre o assunto. Mas me ocorreu agora que nessa frase há um mundo de sentidos, um mundo de dizeres, um mundo de palavras!


O que é a palavra? Segundo o dicionário Michaelis trata-se de "um conjunto de sons articulados, de uma ou mais sílabas, com uma significação." Que pobreza de definição!


A palavra tem força! A palavra pode tocar as pessoas como nada mais no mundo é capaz de fazer! Quando estamos em uma celebração religiosa, se o padre, pastor, rabino, ou seja lá qual for o orador, souber usar as palavras de forma harmoniosa, lógica (preste atenção, essa lógica é a lógica dos sentidos), e principalmente comovente, tornará o evento memorável e poderá trazer conforto e fé aos ouvintes.


Tanto a palavra oral quanto a escrita têm o poder de influenciar as pessoas em vários sentidos, sendo bem articuladas. Um escritor bem sucedido conhece a sua ferramenta, a palavra, e a usa com maestria, sabe colocá-la em uma ordem agradável, sabe escolher as mais convenientes, as que causam maior impacto, as que sabem transmitir sentimentos profundos e verdadeiros, as que combinam, as que se completam de maneira formidável!


Hitler sabia usar essa ferramenta de tal forma que convenceu toda uma nação de que os outros, que não eram iguais, mereciam a morte sem piedade. Ele os convenceu de que toda a miséria de sua pátria era causada por um povo, e que este não tinha mais direito de existir. Ele convenceu a todos de que matar não era abominável, mas era preciso. Isso ainda acontece em muitos lugares do mundo, graças às palavras bem colocadas e incessantemente repetidas.


Muitos loucos, criadores de seitas espirituais, através da palavra, e usando as fraquezas e a necessidade dos seres humanos de conseguir conforto e certezas, manipularam e levaram muitas pessoas a crerem em teorias absurdas, as vezes culminando em suicídio.


Em nosso dia-dia, o uso da palavra não é menos importante! Ele transforma a maneira como enxergamos o outro e como somos recebidos pelo outro. Quando nos encontramos com alguém que sempre diz coisas negativas, nossa disposição em estar com essa pessoa já diminui drasticamente, pois sabemos que nos causará desconforto e talvez, o pessimismo nos contamine. Pessoas que sempre vêm o lado negativo, estão fadadas a terem sempre o pior. É a tal concepção, o copo está "meio cheio", ou "meio vazio"? "Cheio" e "vazio", duas palavras que mudam totalmente o sentido e a nossa disposição diante da vida.


Quando percebemos esse poder das palavras, temos em nossas mãos uma ferramenta poderosíssima! Podemos escolher o que dizer, como dizer e quando dizer! Se alguém nos encontrar no meio da rua e nos perguntar: "_E, aí, Fulano, como está?"_Mesmo que estejamos péssimos, poderemos dizer:"_Ótimo!" Quando dizemos que estamos ótimos, isso evita muitas coisas, como perguntas pelos motivos que nos deixaram péssimos, constrangimentos, tristezas pela tristeza alheia, sentimento de impotência, aumento da agonia a cada termo da explicação. Dizendo que nos sentimos ótimos, acabamos por nos sentir, ao menos, melhores.


Então, sejamos todos muito felizes e fiquemos ótimos!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lexosceles?


Como somos frágeis, como somos vulneráveis, somos como uma folha de papel que se rasga facilmente...



Sexta-feira senti em meu tornozelo e em minha batata da perna, uma coceirinha, pensei que fosse uma picada de pulga ou de pernilongo, não dei muita importância.À noite, senti o meu tornozelo inchar e queimar, ficou muito vermelho, muito estranho! Não sei por que motivo, lembrei-me logo da aranha marrom e de seu poder devastador, pesquisei na internet e vi que os sintomas de um ataque deste animal eram muito parecidos com os que eu estava apresentando: picada indolor, muitas vezes não percebida, inchaço, vermelhidão e queimação após 12 a 14 horas, e o pior de tudo, necrose no local da lesão! Inicialmente fiquei assustada com algumas fotos, mas resolvi dormir logo e ver se pela manhã, o problema já tinha acabado.



A manhã chegou e o inchaço e a vermelhidão continuavam lá! Cotinuei o meu trabalho, mas à tarde resolvi ir ao hospital averiguar, comecei a ter pavor pelas imagens vistas. Cheguei lá e eu mesma sugeri ao médico que era grande a possibilidade de ter sido picada pela tal aranha. Depois de ler um livro sobre animais peçonhentos e de ligar para o Centro de Toxicologia, ele resolveu me deixar lá tomando soro anti-aracnídeo e soro fisiológico.O resultado foi uma noite de sábado e uma manhã de domingo no hospital.



Hoje já se passaram 5 dias e a minha canela parece estar bem melhor, com apenas um pouco de inchaço, e espero que melhore cada vez mais. Só que sinto-me um pouco estranha, minha visão se aguçou e parece que desenvolvi um tipo de sensor de problemas, piso em lugares seguros, apesar de subir pelas paredes. Acho que sou capaz de derrotar qualquer inimigo, a Lexosceles me deu super poderes!



sexta-feira, 1 de maio de 2009

Buracos


As paredes olhavam para mim e eu olhava para elas, os seus buracos me encaravam e me desafiavam, eles sabiam que eu estava sem coragem para enfrentá-los e cresciam cada vez mais. _Um dia eu tomo coragem!_repeti uma centena de vezes, enquanto os feriados iam passando. Eles estavam cada vez mais horrorosos, e de uma certa forma, eu os criei! A tinta estava despencando pela umidade, mas ao tentar removê-la, as crateras se formaram._Malditos caras que construíram essa casa, usaram só areia!_ Praguejei várias vezes enquanto o trabalho só aumentava.

Quando se tem dinheiro sobrando os problemas são resolvidos facilmente, mas quando a situação não é das melhores, um probleminha pode virar uma problemática sem solução.Nesse caso, eu tinha três alternativas: aprendia a tapar os buracos, esperava a boa vontade dos conhecidos ou aguardava ate´que a sorte virasse e sobrasse algum para pagar um profissional.Como as duas últimas alternativas eram muito vãs, a solução ideal foi enfrentar logo o problema e arregaçar as mangas!

Bem, alguém me falou sobre argamassa e massa corrida, não sabia do que se tratava, não imaginava quanto custava e nem estava muito à fim de saber, então resolvi usar o cimento e a areia que já estavam disponíveis.Em pleno Dia do Trabalhador, me senti realmente uma trabalhadora!

O primeiro desafio foi fazer a massa, não tinha ideia das quantidades a serem usadas, nem da consistência da massa, mas não me desanimei! Como em tudo nessa vida, se você for inteligente, as coisas são dedutíveis. Procurei informações no saco do cimento, mas não havia nada sobre essa questão, fui no achômetro mesmo.Muita água entornou, minhas costas doeram pelo peso da enxada, mas acho que consegui encontrar a mistura certa. Depois dessa primeira batalha veio a outra: como colocar o cimento na parede? Foi difícil...Nas primeiras jogadas, carreguei muito a colher e saiu cimento voando pra todo o lado. Pra piorar, o buraco estava arenoso e o cimento não grudava, pensei que devia umidece-lo antes, deu certo. Depois de alguns erros, já estava ficando craque no cimento, tapei vários buracos e nem doeu tanto assim!

O pior de tudo é a bagunça que fica...Sem falar das minhas mãos, todas enrugadas pelo contato com a massa.

Mas no final de tudo, tirei algumas conclusões:

As coisa parecem bem mais difíceis enquanto estão em nossa mente apenas;

Podemos fazer qualquer coisa, basta usar a inteligência e dar o primeiro passo;

As coisa que duram fazem muita bagunça, mas o benefício é bem maior que o trabalho;

Cada um tem que tapar o seu próprio buraco para que a sua casa permaneça de pé e alguém possa morar nela;

Quem espera cansa;

E que apesar de tudo, vale a pena fazer o possível para se ter o melhor.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Por falta de algo melhor...


Ingredientes


1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de margarina sem sal
7
colheres de sopa de Nescau ou 4 colheres de sopa de chocolate em pó
chocolate granulado para fazer bolinhas


Modo de Preparo


Coloque em uma panela funda o leite condensado, a margarina e o chocolate em pó.
Cozinhe em fogo médio e mexa sem parar com uma colher de pau.
Cozinhe até que o brigadeiro comece a desgrudar da panela.
Deixe esfriar bem, então unte as mãos com margarina,
faça as bolinhas e envolva-as em chocolate granulado.


Receita retirada em:
Receitinhas.com.br

domingo, 26 de abril de 2009

Eu

Esses versinhos são antigos, mas ainda servem bem.

Aquela mulher!

Aquela que luta,
Aquela que sofre e chora;
Aquela que espera,
Aquela que guarda,
Aquela que cora...
Sou justamente aquela que ama e odeia.
Sou aquela mulher que não é tão feia....
Alegre, simpática, atenciosa,
Tímida, melancólica, silenciosa.
Sou mãe, amiga,

Filha, companheira.
Sou uma mulher,
A MULHER,
Se assim o queira.

sábado, 18 de abril de 2009

Tudo!


Há uma força no universo, uma força grandiosa que liga tudo, que une, que faz interagir, que complementa. Alguns chamam essa força de Deus, não importando a forma assumida pelo ser considerado como tal. Essa força tem o poder maior de integração e interação de toda a existência.
Nosso universo, com todo o seu mistério, os seus mundos, as suas galáxias, as suas dimensões e planos, com toda a sua matéria e anti-matéria, isso tudo que não sabemos se tem fim, é formado por uma coisa só: energia.


Energia...Conceito difícil de se compreender até mesmo nas aulas de física (ou principalmente), e usado por muitas outras áreas, como no teatro e no ocultismo; creio que na verdade, essa energia toda também seja uma só! Quando um ator está em cena e faz-se de morto, ele está morto em cena, mas a sua cena não está, pois em seu corpo há a energia pulsando, ele está em alerta, e a qualquer momento, a personagem poderá criar vida novamente e sair dançando.Se o ator não tem essa energia, essa força dentro dele, nada tem graça, tudo se esvai.


Energia é vida! Tudo no universo é feito da mesma coisa, todos somos feitos de átomos e seus componentes, e dentro dele está a energia, capaz de produzir uma bomba devastadora.Portanto, tudo é feito da mesma força, tudo está ligado por algo, uma força maior.Deus?


Como foi dito em "O segredo", mas não totalmente como, não há força maior e maior energia despendida que a dos nossos pensamentos!Os pensamentos não são feitos de átomos, mas nós somos, e os nossos pensamentos produzem energias que movem o nosso corpo, as nossas vidas, o nosso universo. Se tudo é um só, o nosso pensamento influencia em tudo!


Como diria Gregório de Matos, nesse trecho de seu poema O todo sem a parte não é todo:



O todo sem a parte não é todo,

A parte sem o todo não é parte,

Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga, que é parte, sendo todo.


Cada um de nós faz parte de um todo, cada um é tudo.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Moscas reflexivas


O corpo tomba, embora as pernas continuem rijas, e a cabeça não é mais capaz de suportar o seu próprio peso, que aumenta a cada segundo. Dentro dela esvoaçam meditações cansadas e cansativas, sem pé nem cabeça e que nunca aterriçam em lugar algum. Estas nascem em um local onde as dúvidas se fazem, e morrem onde as certezas se esvaem...Gostam de atormentar os desavisados, adoram zumbir em seus ouvidos. Não deixam ninguém dormir em paz!


Que alívio seria espantá-las para o além, onde não mais fariam ninguém chorar diante das constatações mais óbvias! Por que elas insistem em nos fazer ver o dia ofuscante até que a luz nos cegue para o conforto da dúvida?


Que triste é a verdade... Que triste é o mundo real! Ele nos traz sentimentos infinitamente inferiores aos que desejamos cultivar, ele é áspero demais para os nossos joelhos, e nele, temos que rastejar!


Oh, alma cansada! Levanta a sua cabeça pesada, saia da cama em que se deitou! Estique o seu corpo fatigado e vá para mais uma luta, que a vida não tocará o segundo sinal e não lhe dará os 15 minutos de tolerância! Estale os seus ossos enferrujados e ponha-os para trabalhar novamente!


Levantem-me! Ergam-me das pedras e ponham-me novamente em meu caminho! Espantem as moscas reflexivas de minha mente, ofusquem essa luz brilhante dos meus olhos e deixem-me viver no marasmo das minhas certezas tolas.




domingo, 12 de abril de 2009

Copia e cola

Li este texto no Blog da Adélia, e fui obrigada a roubar. Classificado bem classificado:
PROCURA-SE UM AMOR ATIVO

Publicou nos classificados o seguinte anúncio:



PROCURA-SE UM AMOR ATIVO

"Tive na vida dois grandes amores:
O primeiro lembrava de mim todos os dias.
O segundo pensava em mim todos os segundos da sua vida.
2 amores passivos: pensar, lembrar...
BASTA!
Quero um amor ativo como Orfeu, capaz de ir ao inferno buscar sua amada, mas incapaz de negar-lhe um olhar, mesmo que esse fosse a perdição de ambos.
Mas não temam. Eu careço bem menos. Para mim basta um amor que ligue, escreva, apareça. Alguém zeloso em me lembrar do seu amor, bastaria para me petrificar apaixonada.”



Anos depois ainda passava as manhãs lendo e relendo o anúncio.
Ninguém ligou.
Ninguém escreveu.
Ninguém apareceu.
O terceiro amor nunca chegara...
Mas ela tinha certeza de que seu procurado amor, em algum lugar, também lia e relia todos os dias o anúncio, pensava nela, lembrava suas palavras e saudoso do que ainda desconhecia esperava, apenas esperava, inerte na sua passividade...

Adélia Carvalho

sábado, 11 de abril de 2009

Copia e cola

Mania De Você

(
Rita Lee)

Meu bem você me dá
Água na boca
Vestindo fantasias, tirando a roupa
Molhada de suor
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar loucuras
A gente faz amor por telepatia
No chão, no mar, na lua, na melodia
Mania de você
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar loucuras
Nada melhor do que não fazer nada
Só pra deitar e rolar com você

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Menino feio

Nasceu fraquinho, parecia mais com as múmias encontradas no Antigo Egito, pele seca, enrugada e osso. Os olhos eram esbugalhados e as orelhas de abano, os cabelos muito crespos e russos. O pequeno renegado não teve a sorte de possuir nenhum dos atributos típicos dos bebês, não tinha a beleza, a graça e nem a fofura, tudo o que concede a estes as atenções necessárias. A única característica que lhe restara fora a fragilidade física e psicológica.

Sua infância não foi fácil, como era de se esperar desde que suas faces saíram de dentro de sua mãe. Na escola, era a grande vítima dos engraçadinhos populares, que sempre davam um jeito para que o nome dele entrasse em alguma notícia de última hora:

_Ah, é, gente, encontraram um novo parente do Alexis lá no México, vocês viram ontem no jornal? Uma múmia muito bem conservada!

_Nossa, aquele acidente ontem com o avião, hein! Se o Alexis estivesse lá com as suas super-orelhas-de-abano, isso não teria acontecido!

_E o vendaval da semana passada? Encontraram o Alexis num varal lá no alto do morro!

O início foi calejante para o pobre menino, mas ele chegou a se acostumar em ser sempre os centros das notícias e das chacotas. Ele já sabia de ante-mão o que os alunos iriam usar para insultá-lo no dia seguinte, vivia ligado nos noticiários. Ao ouvir alguma palavra que remetesse à feiúra, magreza, orelhas, olhos e cabelos, já tomava para si as insinuações. O mundo conspirava contra ele.

Não tinha amigos, não jogava bola, não participava de bate-papos, discussões, não andava de bicicleta, não fazia nada que os outros faziam,o seu mundo se resumia nele e em sua feiúra. E a sua feiúra se transformou em fantasmas muito maiores de acordo com o passar dos tempos; Ele se tornou um ser totalmente recluso, tinha medo de se expor, medo dos xingamentos, dos julgamentos, dos olhares, dos apontamentos, o que acabou influenciando em sua vida social, ele não tinha isso.

O Menino Feio já tinha 40 anos e nunca tivera um relacionamento duradouro. Os seus medos sempre se sobrepunham a tudo; Em primeiro lugar estavam sempre as sua dúvidas.Uma barreira tinha sido criada diante dele, separando-o de todos os outros seres humanos. Ele não se sentia capaz de despertar um interesse verdadeiro em alguém, pois lá no fundo, os meninos estavam gritando: _Você é feio, Você tem orelhas de abano, ninguém gosta de você, você é incompetente! Ninguém nunca irá amar você de verdade!_As vozes moravam lá, nunca cessavam...

Muitas foram as que tentaram se aproximar do menino, que já nem era tão feio, mas era amargo e misterioso. Sempre de olhos baixos e poucas palavras. Nenhuma delas, porém, tinha conseguido atingir o seu interior, ele não permita, não queria sofrer de novo deixando que caçoassem de suas fraquezas. Ele nunca mais seria alvo de chacotas! E nunca mais tentaria viver intensamente, como quando acreditou nas palavras dos colegas ao dizerem, que a menina mais linda da escola estaria interessada por ele.Foi o pior dia de sua vida, aquele em que a menina pegou o bilhetinho escrito com tanto carinho, tanto tempo de elaboração e ornamentação, riu-se a valer, e simplesmente o rasgou bem na sua frente, chamando-o de ridículo. Que dor mais terrível se poderia sentir!

Nunca mais se ririam dele! E nem ele riria também.Melhor viver na calma de sua solidão que sofrer tamanhas humilhações.

O menino morreu velho, feio e solitário...Nunca mais viveu grandes provações, mas as poucas e pequenas lhe martirizariam o suficiente. Ele não sabia qual era a dor e o prazer de se entregar, e achava que não queria mais saber como era se perder depois de se achar. Ele não entendia o sentido de tudo, e finalmente estava feliz, ele iria abandonar o mundo, não precisaria mais ter que lutar para viver entre as outras pessoas, que existiam apenas para lhe causar sofrimento e dor.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Copia e cola

MOTIVO

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Cecília Meireles


RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Coisada

Papel molhado, barbante esticado,
Pão mofado, pé quebrado,
Cabelo embaraçado, café entornado,
Carro atrasado, óleo derramado...

Minuto perdido, dinheiro esquecido,
Cheiro ardido, queijo fedido,
suco aquecido, corpo moído,
Short puído, caminho sofrido...

Lua fechada, garrucha armada,
Fim de toada, roupa encharcada,
Luz apagada, mão suada,
Triste madrugada e mais nada.

sábado, 4 de abril de 2009

Dia Choroso


O dia chorou muito,
Grossas e fortes lágrimas
Se derramaram...
Parecia triste,
Espalhando as suas lástimas
Que não falavam.

Lágrimas tantas,
Na verdade,
Anunciavam
Que as almas
Aos poucos,
Se libertavam.

Repentinamente,
O dia sorriu
E mostrou-se alegre,
Diferente,
Juvenil!

A consciência,
Estranhamante,
Se esvaiu!
O que era imaginário.
Naquela hora
Existiu.

De repente,
Não mais que de repente,
O dia mudou de cor!
De cinza, passou a vermelho,
Mudou também o sabor.

Estranho dia choroso
Que não deixa a gente saber
Se o que passou é verdade
Ou se epenas desejamos ser.


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Copia e cola

Uma das cenas mais lindas que eu já assisti, Jesus atormentado com a chegada da sua morte, no filme Jesus Christ Super Star. Até este homem teve os seu medos, as suas dúvida, a sua revolta.
EU APENAS QUERIA DIZER (GETSEMANE)
Tradução
Eu apenas quero dizer que
Se existir uma saída
Afaste este cálice de mim
Porque eu não quero saborear esse veneno
Sentir isso me queimando
Eu mudei,
Eu não tenho tanta certeza
Como quando começamos,
Naquele tempo eu estava inspirado
Agora
Estou triste e cansado
Ouça
Com certeza eu excedi as expectativas
Tentei por três anos,
Pareceram trinta
Você poderia pedir tanto assim
De qualquer outro homem?
Mas, se eu morrer,
Vejo o destino se cumprir
Fazer as coisas que você me pede
Deixá-los me odiar, me bater, me machucar
Pregar-me no madeiro
Eu queria saber,eu queria saber meu Deus
Eu queria saber,eu queria saber meu Deus
Eu queria ver,eu queria ver meu Deus
Eu queria ver,eu queria ver meu Deus
Por que eu
Devo morrer
Eu seria mais notadodo do que já fui antes?
As coisas que falei e fiz
Teriam mais importância?
Eu teria que saber,teria que saber meu Deus
Eu teria que saber,teria que saber meu Deus
Eu queria ver,eu queria ver meu Deus
Eu queria ver,eu queria ver meu Deus
Se eu morrer o que será minha recompensa?
Se eu morrer o que seráminha recompensa?
Eu teria que saber,teria que saber meu Deus
Eu teria que saber,teria que saber meu Deus
Por que
Por que eu devo morrer?
Oh, por que eu devo morrer?
Você pode me mostrar agora
Que eu não seria morto em vão?
Mostre-me apenas um pouco
Da sua mente onipresente
Mostre-me que há uma razão para
Você querer que eu morra
Você está muito ansioso sobre o onde e como
E não muito entusiasmado do por que
Tudo bem!Eu morrerei.Oh, Oh
Me veja morrer!
Veja como
Veja como eu morro!
Oh-h-hVeja-me morrendo!
Naquela época
Estava inspirado,
Agora,
Estou triste e cansado
Afinal
Eu tentei por três anos
Parecem noventa.
Por que então eu tenho medo de terminar
O que eu iniciei?
O que Você iniciou.
Eu não iniciei isso
Deus
Sua vontade é dura,
Mas
Você segura todas as cartas na mão
Eu beberei
Seu cálice de veneno
Pregue-me em sua cruz
E quebre-me
Sangre-me,
Bata-me, mate-me,
Leve-me agora
Antes que eu mude de idéia.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pote de ouro



A Van seguia o seu curso e já entrava em Rodrigo Silva, quando avistamos o arco-íris naquele céu metade negro e metade radiante. A professora de educação física me disse em seu habitual e estranho bom-humor matutino:

_Aí, Lu, vai lá pegar o pote de ouro no fim do arco-íris, ele acaba alí, no mato!

Eu respondi, achando graça:

_Vou pegar, mas é carrapato!

_Há, há, há! Você vai pegar um pote de carrapato!

A piadinha me fez acordar da minha letargia matutina, também habitual. Fiquei pensando em como as pessoas podem ser tão diferentes, como cada ser pode se relacionar e enxergar as mesmas coisas de maneiras tão distanciadas.

Depois do trabalho, fui até o banco para pagar as minhas contas, também habituais de início de mês, e quando voltei, parei na porta do cinema, onde habitualmente se estaciona um vendedor de livros bem peculiar. Essa figura é muito interessante, como muitas outras que encontramos pelas ruas de Ouro Preto. O homem se locomove com a ajuda de uma bengala, e muitas vezes se perde em viagens proporcionadas pela literatura e pelo álcool. Usa um óculos estilo fundo de garrafa e possui uma fala arrastada, o que não lhe impede de ser bastante eloquente. Sempre me trata por senhorita, e gosta de filosofar com todos os que param para observar os exemplares. Passei , dei-lhe um sorriso e fiquei a analisar os livros. O homem, com o seu chapéu de palha, disse-me:

_A senhorita sempre de bom-humor, sempre sorridente! Está todo o mundo de cara fechada, preocupado com a crise, e a senhorita sorrindo...

Isso me fez parar para pensar pela segunda vez sobre como encaramos a vida.Fiquei feliz em ver que transmito essa imagem, a de bom-humor. Na verdade, mesmo estando pisoteada, procuro transmitir sempre o melhor de mim. Cansei-me de ser taciturna, quero que se sintam bem com a minha presença. Mesmo que eu esteja, habitualmente, em silêncio.

terça-feira, 31 de março de 2009

O presente


O celular tocou pontualmente às 5:00, os meus ouvidos perceberam mas não queriam acreditar que a hora já havia chegado. Dei à mim mesma mais alguns minutinhos, levantei-me, custosamente, às 5:40. Corri para a minha rotina diária, fui ao banheiro, fiz o café, me vesti, me penteei e percebi que a chuva, felizmente, havia parado. Desci a escadaria quebrando as pernas, pois já estava um pouco atrasada. Não chovia mas mesmo assim uma enxurrada descia pelos degraus, não havia nem um pedacinho seco! O resultado disso foi que eu molhei os meus pés e fiquei com eles molhados até às 18:30, quando cheguei em casa... Tudo bem, coisas da vida. Fui correndo para pegar a Van, e em uma dessas pedras me escorreguei e caí com a "poupança" no chão! O pior é que estava passando outra Van na hora, se me viram caindo eu não sei dizer, pois a ninguém vi.Continuei a correr, já convencida de que hoje eu não estava mesmo sendo uma pessoa de sorte, cheguei lá e a nossa Van estava parando. Fui desanimada para a escola, e quando lá cheguei, cumprimentei a todos e perguntei à vice-diretora se o meu forebs estava sujo, ela me disse que não. Reclamei:_"Acho que não estou com sorte mesmo..." Ela então abriu a bolsa e tirou de lá uma linda caixa com alguns produtos cheirosos e me deu, disse que eu e o secretário sempre estávamos ali, sempre ajudando de bom-humor e boa vontade, então ela queria nos agradecer. Eu é que me senti muito agradecida por aquele gesto, justamente em um momento ruim. O bilhetinho que veio junto dizia:


Lu,

Quando na amargura da vida tu te sentires sozinha,

Lembre-se de que no céu há Deus que te guia

E de que na terra há alguém que gosta muito, muito, muito...

De você.


Agradeço por conhecer tantas pessoas que fazem com que a minha vida seja um pouco menos triste, e que estão sempre dispostas a me estender a mão, mesmo quando não tenho forças ou coragem para pedir socorro. Obrigada, meus amigos!


sábado, 28 de março de 2009

FIAT LUX!


Nada importa, a dor é maior que todos os constrangimentos, maior que todas as frustrações, maior que o próprio ser que sofre! A porta que estava entreaberta não quer mais deixar que a luz passe, e caso uma brisa venha mudá-la um pouco de lugar e apareça um pouquinho de claridade, fere tanto os olhos que é insuportável! A luz significa um sábado ensolarado e quente, quando todos saem de casa para passear com os amigos e familiares, sorrindo, gargalhando, brincando, vivendo, e aqui dentro das trevas, se morre! Como é odioso o sábado radiante para quem sofre!Como é atrevida a alegria dos outros, que não se compadecem dos pobres infelizes!

Os noturnos se acostumaram às trevas. A escuridão lhes é agradável, dentro dela não se enxerga com a nitidez do dia, à noite, os gatos são pardos. Nas trevas podemos sair e ficar olhando sorrateiramente para os passantes, ou podemos dormir e aguardar o próximo pôr do sol.

Quem vive da noite não suporta a vivacidade diurna, a alegria do sol lhe cansa, lhe fadiga, a agitação lhe é um desafio! Para sair da cama, ambiente familiar, confortável e propício, é um tormento.

Tanto tempo dentro de uma caverna escura lhe dá a certeza de que é impossível que seus olhos se adaptem de novo à luz.Ele nem mais almeja isso, nem sabe se isso seria bom, quer apenas estar debaixo de suas cobertas.

Se um dia ele tivesse coragem de se esgueirar pelo chão até a porta de saída para ver um pedacinho do dia, da vida, ele se lembraria dos momentos em que brincava banhando-se no sol da manhã até à tarde, talvez sentiria em seus lábios o gosto do vento quente, sentiria o suor escorrendo enquanto inventava máquinas voadoras e martelava os seus dedos, reviveria a alegria que experimentava quando dava cambalhotas no sofá da mãe, mesmo a contragosto desta, tremeria ao sentir o primeiro toque na adolescência e assim, talvez, pudesse acordar do pesadelo e voltar a lutar.

Voltando para a luz, lembrando-se de que faz parte do dia e de que necessita dos raios solares como todos os outros, ele poderia dormir quando precisasse, e acordar quando quisesse.


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