quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Diário

Até que nível de pressão um ser humano é capaz de aguentar? Final de ano é sempre uma época muito estressante, muitas festas, muitos compromissos, muitas compras, e muitos planos para o próximo ano, haja coração! Imagine isso tudo somado ao estress diário e acumulado de quem trabalha em uma escola...

Trabalho em uma escola de Ensino Fundamental há quase três meses, mas o nervosismo e cansaço em que vivem todos no local já estão tendo os seus efeitos em mim. Os professores estão loucos para se verem longe dos pestinhas, há pouco tempo para as avaliações e a turma realmente não coopera.O fim de ano em uma escola é sufocante!

Eu sou uma reles agente administrativa que acabou de passar no concurso municipal e foi para aquela escola, afirmou a responsável, para ficar na biblioteca.Como se trata de uma escola situada em um distrito, imaginem só as dificuldades que enfrentamos! Nessa semana faltou um professor de português, e eu tive que, em cima da hora, assumir as aulas dele, sem ao menos ter noção de em que pé andavam as coisas. Sem falar que tenho que ensaiar quatro alunos da quarta série para um teatro que será apresentado no Centro de Convenções, na próxima semana. Todos os cartazes e ilustrações que inventam, são delegados a mim, ainda tenho que auxiliar na secretaria e de vez em quando, ficar na biblioteca. Não nego que adoro desenhar, amo teatro, e as aulas podem me servir futuramente quando eu retomar o curso de Letras, mas o cansaço está visível! Tenho olheiras e o rosto cansado, mal tenho tempo para mim e para os meus filhotes. Não vejo a hora de um ano novo começar!

Quero começar um ano novo de verdade, com cheiro de coisa recém fabricada, como livro que chega na livraria, ou tênis novo.Quero uma vida nova, menos tensa e menos estressada!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Mini-conto

Sarah em "O vestido de noiva"

O dia do casamento


Tudo conspirava contra, o dia estava chuvoso, o vestido parecia que tinha encolhido, o seu irmão que morava em outro estado ainda não havia chegado, mas não eram esses detalhes que a fariam desistir, ah não! Depois de três remarcações, dois acidentes e uma bebedeira, nada a faria descer do podium agora.



A primeira grande decepção aconteceu quando completavam dois anos de namoro: a casa não estava como eles sonhavam que estivesse para a data. Ela concordou, aceitou e até incentivou, afinal, era a casa onde iriam morar por grande parte de suas vidas. O pequeno lar nunca ficaria como nos sonhos, pois se tratava de um "puxadinho" no fundo da casa dos sogros, mas pra iniciar uma vida repleta de amor e altruísmo, segundo imaginavam, servia bem. Os cinco impedimentos seguintes aconteceram intercaladamente por motivos diversos: Morte de um primo distante, fechamento do cartório por motivo de luto, Comida que se estragou na véspera, tombo de moto sofrido pelo noivo e uma bebedeira de seu pai, cujas ações neste dia culminaram com a destruição do bolo de casamento. Depois de passar por isso tudo, não seriam uma falta de ar, uma chuvinha fria e a falta de um irmão qualquer que a fariam desistir.



O nível de stress naquela casa estava altíssimo, a noiva não tinha rosto, tinha uma carranca colada nas fuças. Ela aguardava o pior, pois era o natural para ela. A todo momento gritava com um ou outro, que, compreendendo e se apiedando da pobre sofredora, não se ofendia e não revidava.



Dessa vez, ela tinha tomado conta de tudo sozinha, não queria que nenhum dedo podre viesse urubuzar mais uma vez a sua sorte. Tinha acabado de sair do emprego e recebeu uma boa indenização, que foi gasta integralmente nos detalhes da cerimônia. Dessa vez, tudo seria impecável: A festa se realizaria em um salão de festas, tudo organizado por um Buffet, não haveria riscos de destruição do bolo nem comida estragada; a casinha já estava razoavelmente boa, e com a quantia que raspou do porquinho, terminou o enxoval; proibiu aos familiares que fizessem viagens ou cometessem atos perigosos naquele período. Parecia que dessa vez, ia dar certo!


A hora se aproximava, chamaram o padrinho da noiva para que a levasse até a igreja, pois ele era quem tinha o carro "mais novo". Ela fez o "nome do pai" e subiu no carro, parecia que estava dando certo:_"Hoje eu caso!"



Dentro do carro, naquele vai e vem, com os olhares dos pedestres e das sombrinhas se dirigindo para a noiva, ela pensou: "_Será que hoje eu caso mesmo? " Agora o medo não era o de mais uma vergonha, mas sim, o de realizar a tão esperada cerimônia. "_Será que tudo o que aconteceu não era um sinal de que eu não deveria me casar com esse homem? Será que , depois disso tudo, o casamento ainda vai durar? Será que vou me arrepender? Será que o amo?" Não encontrou resposta e nem quis pensar mais nisso. Hoje era o dia tão esperado!



Quando chegaram até a porta da igreja, a noiva notou um rebuliço anormal e o seu coração bateu mais forte. "_O que foi agora, meu Deus!" Ninguém tinha coragem de se aproximar dela e contar-lhe o motivo da muvuca, todos gesticulavam nervosamente e abanavam a cabeça, e ela ia ficando cada vez mais nervosa, o carro não a cabia mais. Finalmente, o seu pai, que havia descido do carro para saber do caso, voltou para lhe esclarecer as dúvidas:_" O noivo ainda não chegou !"_Isso para a pobre moça foi como uma estaca no coração do vampiro:_"Ele vai ter que vir, por bem ou por mal! Se não, eu quero o meu dinheiro todo de volta!"_O pai entrou no carro e o padrinho saiu cantando o pneu direto pra casa do noivo._"Toca o carro, padrinho, toca o carro que aquele desgraçado, hoje, me paga! O que ele está pensando! Gastei o meu dinheiro todo nessa porra desse casamento, e ele não me aparece na igreja! Só faz me enrolar há sete anos? Tomar no cu!"_Todos dentro do carro se apavoraram com a atitude da bela noiva, mas a compreederam perfeitamente,e, embora não demonstrassem abertamente, davam o maior apoio.



Grrrrrrrrrrrrrrr!O carro estacionou na calçada da casa dos pais do noivo, onde ficava também a futura casa dos pombinhos. A noiva entrou como um furacão pela sala e já foi logo perguntando: _"Cadê o João Luíz?" _ A sogra ficou alarmada e tentou acalmar a noiva, perguntando o motivo de tanta agitação. A futura cunhada apareceu na porta, fez uma cara de espanto ao ver a noiva, como se tivesse algo sério a esconder. Como perceberam que a noiva precisava saber da verdade, o sogro finalmente abriu a boca:_"O João Luíz não quer casar!"_Nossa, os olhos da mulher pareciam ter se incendiado naquele momento, as fagulhas se estalavam em suas órbitas. A cunhada correu para o quarto e a sogra colocou as duas mãos na cabeça, enquanto a pobre escancarava a sua boca e corria em direção ao quarto do noivo.



_João Luíz, seu filho de uma égua, cê vai me dar o meu dinheiro e é agora, seu desgraçado!Eu gastei todo o meu dinheiro que recebi da firma e você me faz uma sacanagem dessas? Isso eu não vou aceitar não, quero tudo e quero agora!


Quando ela olhou pro homem, deitado na cama, claramente bêbado até a alma, teve o ódio das mães que tem o seu filho morto. Aquele homem dava pena e nojo, estava com o olhar choroso, meio vestido meio pelado, uma triste figura. Depois que a moça esbravejou até não querer mais, falou do seu dinheiro, dos seus gastos, dos casamentos não realizados, ela se lembrou de perguntar:



_Uai, João Luiz, afinal de contas, por que é que você não quer se casar mais?



O homem, com a voz trêmula e fanhosa típica dos bebuns, respondeu:



_O seu irmão não trouxe o sapato pra mim...



Depois dessa, apareceu um sapato "muito do ridículo" para o noivo, e o casamento se realizou, não como nos sonhos, mas como era esperado.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Eteviana

A noite era branca e o frio sussurrava em suas antenas, mas não havia ocasião melhor para explorar aquele novo ritual tão estranho para os padrões alienígenas. Eteviana não se importou com os olhares curiosos e os comentários causados por sua estranha cor de pele e por suas pequenas antenas, que mais pareciam dois amendoins em cima da cabeça.Vestiu-se como uma genuína terráquea, mesmo o frio estando inteso: minissaia bem justa, blusinha tomara-que-caia Muito perfume, balangandans e salto alto. Seguindo os conselhos de sua anfitriã, pintou as unhas, colocou um baton bem forte e esfoaçou os cabelos.

_Glaise, eu não entendo, se a gente vai sair pra dançar, por que é que eu tenho que usar esses sapatos com os quais eu mal posso me equilibrar, e essa roupa que tira o meu fôlego?

Glaise era uma ótima anfitriã, e queria que Eteviana se integrasse totalmente ao estilo de vida terrestre:

_Eteviana, Nós não vamos só sair pra dançar, nós vamos sair pra arrassar! Temos que chamar a atenção dos gatinhos, marcar a nossa presença! Dançar é só um detalhe.

_Por que a gente tem que marcar a nossa presença? O que a gente ganha com isso?

_O que a gente ganha?Uai, cê não sabe o que a gente ganha? Ora, Eteviana, a gente ganha popularidade, ganha gatinhos, fica sendo invejada pelas garotas.

_Ah, entendi...Mas os gatinhos gostam de garotas com falta de ar e que andam desiquilibradamente? E por que a gente quer que as garotas nos invejem, isso é bom?

_Não, Eteviana, os caras gostam de mulher sexy, entendeu? E quanto às garotas...Ah, esquece isso!

_Ahhhhh, tá. Mas se a gente quer sair pra se divertir e encontrar um "gatinho", não seria melhor ser como a gente é na maioria das vezes, e ficar mais relaxada e à vontade?

_Pô, Eteviana, cê tá por fora! A gente só quer zoar, se divertir, curtir a vida! Cê tem muito o que aprender...

domingo, 16 de novembro de 2008

Ser livre


Quem mede os nossos méritos? O vestibular? A prova dos concursos públicos?
A nossa família? Os nossos amigos? Os nossos filhos? Os nossos amantes? Quem está apto a nos julgar? Nós mesmos?

Infelizmente e tristemente digo, que necessito desesperadamente da aprovação alheia, e que sem ela, não tenho paz. Às vezes considero o meu julgador incapaz de dirigir a sua própria vida e incapaz de tomar uma decisão coerente, mas ainda assim, necessito de seu aval.Necessito de que me dê um sorriso orgulhoso significando: "muito bem, fez certo!"Necessito de que o universo esteja em harmonia com os meus anseios.

Apesar dessa necessidade de estar em concordância com o universo, e além dela, me vem a vontade de estar de acordo apenas com os meus anseios e os meus princípios.Não quero que me governem, não quero que me julguem, não quero que saibam de minhas decisões.Mas caso venham a saber, que a considerem sensata! Ou ao menos, a considerem como uma possível decisão acertada, visto que,de certo, nada sabemos.

Quero entrar e sair sem que me perguntem ou me olhem dizendo algo com os sorrisos maliciosos.Quero poder ser dona de minhas vontades, sem que isso me leve à fogueira moderna da indiferença.Quero ser livre para sentir tudo o que eu tenho direito, tudo para o que fui preparada por Deus para sentir!

Porém, não me deixem cair na vulgaridade do comum! O vazio da efemeridade, não quero a nulidade da existência, quero essência! Quero ser livre para ser responsável pela minha vida! Preciso ser quem sou, seja o que for.

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